Bike nacional ou bike importada?

Tem gente nervosa no pedaço. Me acusaram de privilegiar a Caloi nos meus posts. Eu já estava esperando, mas doeu. Mantenho o blog, “com uma ajudinha dos meus amigos”, como diziam os Beatles em 1967, com dificuldade.

São poucos anunciantes, ainda, e seguimos princípios éticos – pouco flexíveis, como a ética deve ser – o que não ajuda a conquistar a simpatia dos revendedores. Não aceitamos reviews pagos. Isso quer dizer que, quando você lê a nossa opinião sobre um produto no DLAC, está lendo o que achamos, e será sempre uma opinião isenta. Ninguém está nos pagando para dizer que marca A ou marca B é melhor ou pior que as outras. Não aceitamos nem aceitaremos isso. Nunca.

Porque insistimos na questão do custo x benefício? Porque, para o iniciante inteligente (o veterano experiente sabe o que quer e quanto custa o que ele quer) é importante ter uma bike que troque marchas no momento que ele aciona o trocador. Um movimento central que não dê folga em dois meses. Uma suspensão que, se não é perfeita, seja mais que alguns pedaços de borracha empilhados.

É fácil confundir um leigo. Suspensões são vendidas com montes de siglas XC, XCM, V3, Pro, Expert, ABS, ABS+, Fit, XCR, XCO, RL, RLC. Alguns modelos, com siglas diferentes, são absolutamente a mesma coisa. Nem eu, que sou do ramo, entendo, às vezes. Difícil, para um leigo, entender a diferença de um freio a disco mecânico para um hidráulico, e a diferença de preço que isso representa numa troca. Ou se, para as estradas de terra batida onde ele quer começar a pedalar, fará diferença 24, 27 ou 30V. Ou, pior: qual é a diferença entre um cassete ou uma catraca de rosca. Esses são simplesmente componentes, e são muito fáceis de comparar – e, para quem tem experiência, determinar o melhor para determinado uso.

Bicicleta, meus caros, é quadro. O resto são apenas esses já citados componentes, que se encontra em qualquer lugar. Assim, quanto maior a empresa, quanto mais renomada a sua marca, é razoável supor que haja algum recurso destinado a um departamento de pesquisa e desenvolvimento de quadros e de seleção dos melhores componentes para esses quadros. Só que isso importa, realmente, num nível mais alto. Se um quadro pesa 300g a mais, se o chain stay tem 5mm a menos ou se o ângulo do head tube é de  71, 72 ou 73º são detalhes que não vão influenciar na durabilidade, performance ou conforto de uma bike básica ou iniciante. Sem enrolação, por favor. Além disso, é tudo feito na China, mesmo.

As grandes fábricas de  bicicletas – vamos dar nome aos bois, né? – Trek, Giant, Specialized, Cannondale, Merida, Scott – tem bikes que beiram a perfeição. São, naturalmente, caras, pois nelas foi investido um enorme esforço em pesquisa e desenvolvimento. Você paga o que está recebendo e exigindo. A Caloi ou a Soul, ainda, não tem conseguido competir com essas marcas nesse segmento, o de bikes top. Mas no segmento intermediário, a história é bem outra: Porque uma Rockropper 29 tem preço sugerido de U$ 880,00 (R$ 1.848,00, mais ou menos)  nos EUA e R$ 4.590,00 no Brasil [informação nos sites da SPZ Brasil & USA, meus caros. Não estou inventando]? Ei, ei, ei! É EXATAMENTE A MESMA BIKE! Enfie aí 35% de imposto de importação, tá certo. Vamos para R$ 2.500,00. Cadê os outros R$2.000,00? Ah, você pode argumentar, mas tem o frete. Frete? Encha um navio com containers cheios de bikes e mande para a América Latina, e você vai ver que esse frete não existe, é desprezível. Ah, mas tem revenda, distribuidor. E lá também não tem? Esse preço sugerido é para o revendedor final. E ainda posso quase garantir: lá, não chega aos $880, não. Ressalte-se: a SPZ não é culpada disso. É só um exemplo, que acontece, em maior ou menor grau, com todas as bikes importadas.

Preço sugerido de varejo da SPZ RH 29 no Brasil

Preço sugerido de varejo da SPZ RH 29 nos EUA

Mas então o que é que acontece? Acontece que brasileiro é burro, mesmo. Gosta de pagar caro. Isso acontece com imóveis, automóveis, planos de saúde, passagens aéreas, locação de carros e hotéis. Quem vende, comodamente, põe a culpa no “Custo Brasil”. Custo Brasil my ass.

E o que nos resta, então? Sair a rua para protestar? Não, o blog não tem esse viés político. Creio, porém, que se comprarmos produtos decentes – quando existem similares nacionais, bem entendido – os preços tem de cair, pelo menos no caso das bikes.

Essa é nossa opinião: hoje, 14/11/2012, as melhores opções em se falando de custo x benefício em bikes básicas e intermediárias, numa bike que não vai te deixar na mão, são as Caloi Elite 2.4, Caloi Elite 2.7, Soul SL 100 e Soul SL 500. Os quadros dessas bikes nada ficam a dever aos quadros de bikes com preço similar de marcas importadas (e nem ficam a dever, também, aos quadros de bikes importadas BEM mais caras e com componentes BEM piores). Em se tratando de custo x benefício, as melhores rodas e os melhores aros são Vzan. Simples  assim. Amanhã, a história pode ser outra, e para continuar atualizado continue lendo o DLAC, hehe.

Se você procura uma full suspension, ou uma HT sub 9, a história É outra. Faça a sua pesquisa e compre a bike dos seus (e dos meus) sonhos – e ela, pelo menos por enquanto, vai ter que ser importada.

DLAC não pretende fazer você comprar a bike de marca tal ou qual. Apenas aponta a opinião do blog, com as informações que temos e às vezes com testes que fazemos. É, simplesmente, mais uma fonte de informação. A conclusão (e o dinheiro do bolso) quem tem que tirar é você.

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Publicado em 14/11/2012, em O que eu acho e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. 28 Comentários.

  1. Parabéns!belo post!
    Fiquei asustado com o preço da Stumpjumper 29er de alumínio,que em seu lançamento custava R$7000,agora esta a R$11000!
    Um absurdo!

  2. Mais um excelente post do DLAC!
    E concordo plenamente com você: Custo Brasil my ass
    kkkk

    • Rapaz você esta de parabéns, realmente muitas pessoas só vêem marca e a caba esquecendo que esta pagando mais que o triplo do preço, apenas por causa de um quadro.

  3. Sempre dei e sempre darei preferência a produtos nacionais. Obviamente em se tratando de componentes para Bike a situação é mais complicada. Mas ja existem Quadros, Cubos, Aros, Suspensões e outros componentes “brasucas” de excelente qualidade que no geral não fical devendo aos produtos importados. Além de que na maioria dos casos são mais baratos e nem sempre preço elevado e “grife” significa qualidade.

    • Concordo, com ressalvas. Acho que cada caso é um caso. Tendo similar (realmente, com a mesma qualidade) e preço mais baixo feito aqui no Brasil, porque se deveria fazer a tolice de adquirir um adesivo caríssimo? Sim, porque muitas vezes a diferença é só o adesivo.
      Por outro lado, há produtos onde realmente não há como discutir a superior (muito, extremamente superior) qualidade dos importados, como é o caso das suspensões Fox e as Rock Shox SID (só para citar essas duas, como exemplo), ou os sistemas de balança das full suspensions top, como Giant Maestro e Specialized FSR.

  4. Concordo com tudo e assino embaixo! Não existe bike perfeita, existe a bike perfeita para cada situação. Para um ciclista iniciante ou intermediário temos que considerar o custo benefício, já que uma bike top, trará poucas vantagens para o uso que esse tipo de ciclista normalmente faz da bike. Pra que pagar quase o dobro se podemos ter uma bike similar nacional por um preço inferior, não! Muito bem escrito o texto!

  5. Cara, muito bem dito! Eu mesmo já tive uma Elite 2.4 – que adorava, por sinal – mas quando decidi ter uma full tive que migrar pra Scott. E sim, trouxe de fora, fui taxado, multado (roubado, em linhas gerais) e mesmo assim ela ainda saiu quase 30% mais barato do que o preço do Brasil. A esperança está nas novas Caloi 29″ que aparentemente (sublinhado) estão vindo com uma bela dose de inovação e boa vontade de se tornarem competitivas. Abraço!

  6. Samuel Cordova

    Parabéns pelo conteúdo de excelente qualidade deste blog. Tenho acompanhado as atualizações e lido as antigas postagens, esclareci e aprendi muita coisa, continue assim e obrigado pela iniciativa. Abraço!

  7. Estou procurando comprar a minha 1ª bike, e achei difícil até comparar modelos de mesmo preço pois não tinha nenhum parâmetro (devido ao monte de peças e nomes). Gostei muito do blog; me abriu os horizontes. Obrigado e parabéns.

  8. E aí DLAC, beleza?
    Mas a taxa de importação não é 60%? Quer dizer que para as bikes é mais baixo (35%)?
    Valeu!

    • Oi Márcio! Tudo beleza (exceto os impostos de importação, hehe)!
      Ao que nos consta, em Setembro/2011 a Receita Federal aumentou o Imposto de Importação para vários produtos, entre eles bicicletas e pneus para elas, que era de 20% e passou para 35%. Segundo a portaria, “as bicicletas de competição ficam isentas da nova alíquota”, então só Deus e a RF sabem quem se enquadra em qual alíquota; mas parece que 35% é o máximo.
      Não consegui achar o link para a portaria do governo, mas tem esse artigo da Revista Exame que fala sobre o caso.
      Lembrando que, se você, como pessoa física, resolver comprar algo no exterior, a taxação é de 60% sobre o valor do produto + frete. Se o produto for um “presente” de até U$50,00 ele está isento de imposto de importação. Se passar de 50 dólares há uma taxação de 60% sobre o excedente (também considerando o valor do frete). Ou seja; a alíquota de 35% é para uma importação, digamos, oficial – se você resolver comprar a sua bike no exterior e despachá-la para o Brasil, cai nos 60%. Se você viajar de avião e resolver trazê-la (e só trouxer ela), você tem um limite de isenção de até U$500,00, com uma taxação que não sei informar quanto é, sobre o excedente. É um balaio de gatos danado, e aconselho a quem resolver se aventurar a pesquisar bastante e em órgãos oficiais sobre o assunto, para evitar surpresas muito desagradáveis.

  9. Olá DLAC, algum tempo atrás pedi informações a você aqui no Blog e fui prontamente atendido, o que me ajudou muito na tomada de decisão. Hoje tenho uma Elite 2.7 – que adquiri depois de refletir sobre as opiniões deste blog e de outras fontes, e estou muito satisfeito. As informações estão disponibilizadas aqui, e cada um deve tomar sua decisão. Particularmente as informações me foram muito úteis – agradeço demais. Abraço!

  10. sidmaiaidney

    Só esclarecendo a questão tributária:
    O imposto de importação de 35% é cobrado sobre o valor do bem + frete + seguro. Em seguida vem o IPI de uns 15% que é tributado sobre valor do bem + frete + seguro + imposto de importação. Aí vem ainda: PIS, COFINS e ICMS… Todos incidindo em “cascata”. Em suma são 4 impostos federais e um estadual. :T

  11. Ricardo Noronha

    Parabéns pelo post!! Já vi vendedor de bike dizendo que o cara será discriminado se chegar em um pedal de Caloi… A gente deveria discriminar o cara que paga o dobro numa bike “igual” !! Pra quem ta começando custo x benefício importa SIM!

    • Então, Ricardo, é exatamente o pensamento nosso aqui no blog. Nunca é demais dizer: não fazemos reviews pagos (pratica comum em blogs das mais diversas especialidades). A gente diz o que a gente acha, ninguém está nos pagando para dizermos isso ou aquilo, de marca A ou B. E, claro, entendemos a importância que tem, principalmente para o ciclista iniciante, de ostentar uma marca gringa e famosa na sua nova bike, pois ajuda a se afirmar no grupo, e todo mundo fica um pouco inseguro quando começa um novo esporte. É importante, também, que ele ache sua bike bonita – estimula sair para pedalar.
      Mas, fazendo uma avaliação técnica, não importa o que está pintado no quadro. Claro, as marcas tops tem bikes, como já dissemos, que beiram a perfeição, mas no caso das intermediárias, o cxb é mais importante, na nossa avaliação, que grafismos ou do que um mero fetiche. E é isso que queremos deixar claro.
      Não que outras bikes de mesmo valor e componentes mais simples, como a maioria das importadas. sejam péssimas, apenas achamos que uma boa performance importa mais que uma bela pintura ou um nome famoso pintado no quadro.

  12. DLAC,
    Estou conhecendo o blog por hoje, já fiz um post das minhas bikes e sendo sincero, vou achar muito importante ver a sua opinião.
    Esta de parabéns pelo texto acima.
    Tenho duas Caloi e para mim elas são perfeitas, tudo claro, depende da forma de uso, afinal de contas, o que adianta comprar um FORMULA 1 para participar do Rally Dakar ?
    Grande abraço,

    Fábio

    • Opa Fábio!
      Nossas opiniões estão no outro comentário.
      Você tem razão: a Bike tem que ser adequada ao uso, e só.
      Claro, não podemos criticar quem compra uma Full suspension para andar em asfalto, mas é um desperdício de dinheiro. Porém, cada um sabe o que faz com o seu, e a satisfação que se tem com uma determinada bike é uma coisa estritamente pessoal.
      Suas bikes estão bem montadas e com certeza ainda lhe darão muitas alegrias!
      Grande abraço!
      E quem não curtiu ainda, curta a nossa FanPage e fique ligado nas novidades, ok? http://www.facebook.com/pages/Da-Lama-ao-Caos/333903203299235.

  13. Hoje li seu blog e tirei várias dúvidas que tinha aqui na minha cuca rsrsrs. Obrigada pela sinceridade e dedicação.

  14. Mais um bom artigo aqui no blog. Como sempre, esclarecedor e nos faz pensar um pouco mais fundo sobre o mundo das fábricas; essa eterna disputa de mercado e marcas.

    • Pois é, Omar. A verdade é que tem muita Bike de qualidade, das mais diversas marcas.
      Cada um tem que escolher aquela que se encaixa no seu estilo e a que mais lhe agradar, em design, componentes e geometria.
      Já perguntaram muito: “qual a melhor marca de bike?”. Eu respondo: isso não existe. É a mesma coisa de perguntar qual a melhor música do mundo. Tem muito pra escolher; no fim é questão de bom senso, e por que não dizer, de gosto.

  15. To procurando

    Achei todos os comentários apropriados. Como curioso continuo indeciso quanto a compra mas já sei que o quadro é importante e que não devo comprar em um supermercado. Nesta semana entrei em uma loja e o vendedor despejou um vocabulário de outro planeta. Disse que havia coisa melhor que a Caloi e, então, eu resolvi pesquisar em outros locais mas antes de sair ele me mostrou uma bicicleta com todos os componetes da Shimano, na faixa de 1.700,00 Achei linda mas não fiz o teste drive. Enfim, a busca continua.

    • A Shimano possui componentes de altíssimo nível, nas linhas XT e XTR, de nível intermediário, como SLX, Deore e Alivio, e de nível básico, na linha Acera.
      Mas possui, também, componentes extremamente simples, como a linha Tourney (TX), que não prestam para Mountain bike.
      Assim, dizer que “todos os componentes são Shimano” não diz muita coisa.
      Além disso, há que se considerar, além da transmissão (câmbios e engrenagens) e quadro, a qualidade da suspensão (importantíssima), do cockpit (canote, avanço e guidon), selim, rodas, pneus e freios.
      Só a analise do conjunto permite definir se a bike é adequada aos propósitos de determinado ciclista.
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  16. Olha, comecei a pedalar em terreno e em asfalto para ir trabalhar ( e passear também!) usando uma caloi supra 2012, decidi então comprar uma outra bike, sondei a sl 100, e alguém de cara me sugeriu a trek 3500 disk, fui atrás desta pra conhecer e era muito atrativa! Porém, olhando o custo x benefício, não fiquei nem com a soul nem mesmo com a trek,
    decidi ficar mesmo com uma caloi elite 2.4! Me digam se não fiz uma boa escolha?!
    ( soul 100= R$ 1889,00; caloi elite 2.4= R$ 2099,00; trek 3500 disk= R$ 2 299,00).

  17. Tche, baita texto !! Muito bem escrito e ácido na media certa. Além disto parabéns pela postura ética, raridade nesse país (vide programas e revistas automotivas só pra citar um exemplo).
    É bem como disse o presidente da Honda numa entrevista :
    – O senhor não acha que os carros da Honda no Brasil são muito caros ?
    – Acho
    – E porque então a Honda não diminui um poucoos preços?
    – Diminuir porque se o brasileiro paga ?

    E assim um Honda Jazz (o Fit) na Austrália custa AUS 19.000,00 (lá é carro de entrada, tipo o nosso Palio aqui) enquanto aqui no Brasil o Honda Fit é “carro de rico” porque custa R$ mais de 50 paus …..
    Brasileiro é burro mesmo !! E pior é que se acha esperto pra cara**** ….

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