Lance Armstrong perde os títulos do Tour de France

Ontem, o diretor-executivo da Usada, Travis Tygart, informou que todos os resultados que Lance Armstrong obteve a partir de 1º de agosto de 1998 serão anulados, devido às acusações da Agência Antidoping Americana (USADA), sobre o uso de substâncias de substâncias e procedimentos ilícitos pelo atleta, que, depois de longa batalha judicial, desistiu de levar o processo adiante, afirmando “já ter tido o bastante”.

Pelo Twitter Lance disse “”Hoje viro a página. Não vou insistir neste tema, apesar das circunstâncias…”. A declaração parece ter sido resultado da rejeição de  um recurso apresentado ao Tribunal Federal de Austin, no Texas, pedindo o arquivamento do processo que a USADA move contra ele. Para Lance, “o custo disto está pesando sobre minha família e meu trabalho para nossa fundação e me leva a dizer: terminei com as bobagens”. Ele nega categoricamente todas as acusações.

Basta, USADA. Já tive o bastante.
Para o DLAC, a camisa amarela sempre será dele.

Na verdade, considerando a fama e a idade de Lance Armstrong – que hoje se dedica a sua fundação [Livestrong] na luta contra o câncer e a competições de triathlon, tendo sucesso na sua faixa etária – isso tudo é bobagem, mesmo. Pouca ou nenhuma diferença fará na sua fortuna ou negócios. Talvez incomode no ponto de vista pessoal, mas quem irá esquecer dos seus sete títulos do Tour?

Johan Bruyneel, diretor esportivo da equipe de Lance Armstrong, declarou: “Hoje, eu estou desapontado por Lance e pelo ciclismo em geral, pelas coisas terem chegado em um estágio em que Lance sente que fez o suficiente e que ele não quer prolongar a campanha da USADA contra ele. Lance nunca desistiu de uma luta em sua vida, então a decisão dele mostra como o processo está sendo injusto”.

Numa declaração que merece entrar para os anais da história da hipocrisia, Travis Tygart disse: “É um dia triste para todos os que amam o esporte e para os nossos heróis esportivos. Este é um exemplo doloroso de como a cultura de vencer a todo custo nos esportes, se não for reprimida, superará a competição leal, segura e honesta. Para os atletas limpos, esta será uma lembrança reconfortante de que há esperança para as gerações futuras de competição em igualdade de condições sem o uso de substâncias proibidas”.

Atleta de ponta limpo? No ciclismo de estrada? Pois sim.

Alguns fatos sobre o assunto:

  • A acusação ao atleta foi apresentada pela USADA em junho deste ano, quatro meses após uma investigação do governo dos Estados Unidos não ter encontrado provas de que Armstrong se dopava.
  • A entidade garante que quase uma dezena de ex-companheiros do ciclista podem testemunhar contra ele e que existem amostras de sangue de eventos mais recentes que indicam indícios de dopping do atleta.
  • Dos mais de 500 testes antidoping a que Armstrong foi submetido ao longo de toda a sua carreira, porém, nenhum apresentou resultado positivo.
  • Após punição de Lance Armstrong a venda de pulseiras Livestrong triplicou. Entre a quinta-feira passada (dia do anúncio da desistência do processo por Lance) e o sábado, o número de pulseiras vendidas passou de 320 para mais de 2 mil (por dia). As doações à fundação Livestrong chegaram a quase 200 mil dólares.
  • A sua declaração oficial: http://bit.ly/RJfAie

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Publicado em 24/08/2012, em Ídolos, Novidades na mídia e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Ricardo Arrais

    Concordo que retirar todos os títulos de um ícone como o Armstrong é provavelmente uma medida calculada para provocar o maior impacto possível, e eventualmente criar um ambiente onde a loucura do esporte profissional, onde o doping é praticamente obrigatório, seja revertida, ao menos em parte. Hoje praticar um esporte em nível elevado torna-se tarefa quase impossível para atletas “limpos”… Algo precisa ser feito para reverter isso, senão aonde iremos parar? Se você é um jovem com potencial em qualquer esporte ou modalidade e resolve seguir em frente na base do esforço, logo terá que se defrontar com a escolha de se manter limpo e abaixo da média ou correr o risco de ser pego no antidoping para se manter no topo. Isso é realmente esporte??

  2. Muito pertinente o comentário. O doping no esporte de alto nível está praticamente institucionalizado. A corrida deixou de ser entre atletas, nas pistas (de bike, de atletismo), para ser entre dois contedores: os laboratórios e a WADA. Uns tentam desenvolver drogas indetectáveis; o outro tenta desenvolver testes para descobrir quem as está usando.

    Um caso emblemático aconteceu nos anos 2000, quando a atleta Marion Jones admitiu o doping e perdeu as cinco (três ouros, dois bronzes) medalhas que ganhou em Sydney, em 2000. Ela usava drogas desenvolvidas desde 1988 (é isso que você leu) pelo Laboratório Balco e que só passaram a ser detectadas depois que alguém enviou ampolas das substâncias (anonimamente) à WADA. Ou seja: foram usadas durante aproximadamente 15 anos sem que ninguém fosse pego.

    Claro, sempre é suspeito quando um atleta, seja Lance Armstrong, Michael Phelps, Florence Griffith-Joyner, Mike Spitz ou Usain Bolt ganha tantas vezes, em sequência. Não é compreensível, nem muito humano. Mas, como no caso da citada Florence (que descanse em paz), que nunca teve suas medalhas retiradas simplesmente porque nada contra ela ficou provado, porque cargas d’água usam Armstrong como bode expiatório? Como ele diz, parece algo pessoal.

    Para quem não se lembra ou não conheceu a história de Florence, aí vai um resumo retirado da Wikipédia. Com todo respeito à falecida, sempre achei a história muito estranha (mesmo antes da sua morte).

    Nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, Florence Griffith-Joyner era a grande favorita para os eventos de velocidade. No total, ganhou três medalhas de ouro, nos 100 metros (com um tempo de 10,54 s, assistido por vento), nos 200 metros (batendo o recorde do mundo nos quartos de final) e na estafeta 4 x 100 metros, e uma medalha de prata na estafeta 4 x 400 metros. No final do ano recebeu o Prémio James E. Sullivan, que distingue o melhor atleta amador dos Estados Unidos. Pouco tempo depois, Flo-Jo retirou-se para sempre das competições oficiais.
    Florence Griffith-Joyner morreu na noite de 21 de Setembro de 1998. A causa do óbito foi asfixia acidental na almofada, durante um ataque de epilepsia, causada por uma má formação congênita cerebral. A família Joyner revelou depois, que Flo-Jo vinha sofrendo de convulsões desde 1990.
    A sua morte inesperada trouxe de novo as suspeitas de uso de dopagem na carreira de Florence Griffith-Joyner. A sua carreira foi atípica, principalmente porque todos os seus títulos e feitos foram alcançados numa única época (1987/1988), quando a atleta já tinha 28 anos e passara portanto o pico da sua forma. A forma abrupta como Flo-Jo se retirou das competições também foi interpretada como suspeita, tendo em conta que os testes antidoping passaram a ser rotina no ano seguinte. Pelo seu lado, Griffith-Joyner justificou a melhoria súbita de tempos como resultado de uma alteração no seu programa de treinos.
    Porém, os tempos obtidos por Flo-Jo eram absurdamente irreais, tanto que até hoje, com toda a melhoria tecnológica, alimentar e de treinamentos, nenhuma atleta consegue chegar perto dos seus tempos. Nos 100 m rasos feminino, por exemplo, a campeã olímpica de Pequim 2008, Shelly-Ann Fraser, da Jamaica, obteve o ouro fazendo um tempo de 10s78, muito aquém dos 10s49 que são o recorde mundial de Florence. Nos 200 m rasos ocorre o mesmo: a campeã olímpica de 2008, Veronica Campbell-Brown, da Jamaica, obteve o ouro com 21s74, muito aquém do irreal recorde mundial de Florence, 21s34
    “.

    O doping é ruim. É perigoso. Eventualmente, mata. Torna a competição algo simplesmente onde o dinheiro investido em biotecnologia é o que realmente importa, não a capacidade ou habilidades individuais.

    Mas é algo que tem que ser comprovado. Preto no branco. com testes bioquímicos, prova e contraprova.

    Então, USADA, se não pegou o cara, simplesmente aceite. Querer condenar um atleta que nunca foi pego no antidoping com base em testemunhos… é tapetão demais para o meu gosto. Não importa se a intenção é boa.

    Lance muito bem coloca isso na sua declaração:

    No fim das contas, joguei pelas regras estabelecidas pela UCI e WADA e USADA quando eu corri. A idéia de que atletas sem testes positivos em provas e contraprovas possam ser condenados hoje pelas mesmas regras e procedimentos que se aplicam a atletas com testes positivos, perverte o sistema e cria um processo em que qualquer ex-companheiro de equipe mal-intencionado pode abrir um caso na USADA, seja por despeito ou para ganho pessoal, ou em que um ciclista desonesto pode negociar um tratamento diferenciado para si [para obter vantagens em seu próprio processo]. É uma abordagem injusta, aplicada de forma seletiva, em oposição a todas as regras. Simplesmente não é certo.

    A USADA não pode querer ter o controle de um esporte profissional internacional na tentativa de retirar meus sete títulos de Tour de France. Eu sei quem ganhou os sete Tours, meus companheiros de equipe sabem quem ganhou os sete Tours, e todos que competiram contra mim sabem quem ganhou os sete Tours. Nós todos corremos juntos. Por três semanas, pelos mesmos caminhos, as mesmas montanhas, e contra todo o clima e os elementos que tivemos que enfrentar. Não houve atalhos, não havia um tratamento especial. Os mesmos caminhos, as mesmas regras. O mais difícil evento no mundo onde o homem mais forte vence. Ninguém pode mudar isso. Especialmente Travis Tygart“.

  3. De qualquer forma, o exercício de encontrar vencedores para as sete edições do Tour vencidas por Lance será algo divertido. Vejam essa reportagem do Terra:

    O ciclista cazaque Andrei Kivilev, morto em 2003, pode ser declarado campeão da Volta da França de 2001. Kivilev, que ficou em 3° na primeira edição no século XXI da principal competição do ciclismo, pode ser postumamente beneficiado caso a União Internacional do Ciclismo (UCI, na sigla em inglês), além de confirmar a decisão da Agência Antidoping dos Estados Unidos (USADA) de retirar os 7 títulos do americano Lance Armstrong, considere também que o alemão Jan Ullrich, banido do esporte em 2012 por doping, não está apto a herdar a conquista.

    A possibilidade de Kivilev ser declarado o vencedor mostra a dificuldade que a UCI enfrentará ao anunciar os novos vencedores da Volta da França de 1999 a 2005. Diversos dos adversários de Armstrong foram flagrados em exames antidoping durante ou após a época de domínio do americano.

    Em 2000, por exemplo, os sete primeiros colocados da competição francesa, considerada a principal prova do ciclismo mundial, tiveram seus nomes envolvidos em algum escândalo de uso de substâncias ilegais para aumento de desempenho esportivo [hahaha]. O título poderia, portanto, ficar com o oitavo colocado, o espanhol Fernando Escartín [Terá ele sido testado?].

    A UCI ainda não divulgou se vai obedecer a decisão da USADA ou se vai levar a briga para tentar manter intactos os resultados da Volta da França ao Tribunal de Arbitragem Deportivo (TAS), corte máxima do esporte mundial, em Lausanne, na Suíça.
    Kivilev, possível vencedor da Volta de 2001, morreu em uma acidente durante a segunda etapa da Paris-Nice de 2003. Sua morte provocou mudanças nas regras do ciclismo, levando a UCI a tornar obrigatório o uso de capacetes em competições
    “.

    Mais sobre o doping:

    Especial: Doping em Portugal

    Atletas estadunidenses são os reis do doping

    Atletas injetam urina na bexiga para escapar do antidoping

    Mais sobre o mortes de atletas jovens (não necessariamente ligadas ao doping):

    Nadador norueguês favorito ao outro morre em treino

    Jovem que integrava Equipe de Ciclismo de Assis morre de endocardite

    Mal Súbito no esporte

    Atleta morre em competição de triatlo realizada nos Estados Unidos

    Ciclista australiano Daniel Bennett morre durante treino

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