Bikes para nossos filhos

Há algum tempo atrás comprei uma bike aro 24 para meu filho, então com 7 anos. Comprei uma Caloi Max, que revelou-se uma bike bastante limitada, mesmo para ele.

Observando todos os seus problemas, sempre me perguntei o porque da qualidade ser tão negligenciada numa bike infantil. Vamos analisar as suas especificações:

Caloi Max:

Aro 24
R$ 430,00
Quadro em aço
Gancheira fixa
Garfo rígido
Grip System Caloi
Câmbio traseiro Caloi
Freios Vbrake plástico/alumínio

http://www.caloi.com.br/bikes/maxaro24linha2012

Embora com preço convidativo, alguns problemas logo ficam evidentes. O quadro em aço carbono deixa a bike incrivelmente pesada, ainda mais se tratando que é bike para uma criança. Os trocadores são duríssimos, e a dificuldade de troca de marchas é absurda. Uma criança só consegue trocar duas ou três marchas na catraca, no máximo. O câmbio – provavelmente chinês, vendido com a marca do fabricante – é uma tristeza à parte.

Caloi Max
Imagem: Caloi.com.br

Os freios são Vbrakes (o que está de acordo com o preço e proposta da bike), mas de péssima qualidade, com partes de plástico.

O quadro de aço carbono não ajuda no peso do conjunto.
Imagem: Caloi.com.br

A falta de gancheira e o péssimo câmbio limita muito o uso da bike.
Imagem: Caloi.com.br

Um upgrade poderia resolver o problema das marchas. Infelizmente, o quadro não possui gancheira – ela é integrada ao câmbio, uma solução de último nível. Isso compromete seriamente um up para um grupo um pouco melhor, como Altus com Rapid Fires, por exemplo.

O avanço integrado ao guidon é um detalhe que atesta a simplicidade da bike.
Imagem: Caloi.com.br

As câmaras de ar – Pirelli – que vieram nela furam sistematicamente. Tive de trocar por câmaras Kenda, que resistiram bem.

Garfo rígido e vbrakes de plástico+alumínio também não colaboram com a qualidade.
Imagem: Caloi.com.br

A bike, depois de certo tempo, foi doada.

A pedido de um amigo, procurei algo similar, de mais qualidade. Embora a faixa de preço seja mais alta (cerca de 290,00 a mais), a Soul SL50 se revelou uma gratíssima surpresa, e com certeza o dinheiro adicional é bem gasto.

Soul SL 50

Aro 24
R$ 720,00
Quadro em aluminio
Gancheira removível
Garfo com suspensão
Shimano Revoshift RS35
Câmbio traseiro Shimano Tourney
Freios Vbrake alumínio

http://soulcycles.com.br/site/2010/bike_sl50.html

A Soul SL50 tem um projeto mais elaborado, podendo dar grande satisfação ao aspirante de mountain biker.
Imagem Soulcycles.com.br

Com quadro em alumínio, gancheira removível, guidon com avanço independente, trocadores Shimano RevoShift (eu prefiro, sem dúvida o Rapidfire) e câmbio traseiro Shimano Tourney e freios Vbrake em alumínio (freios a disco, hidráulicos, podem parecer frescura, mas não é: facilita a frenagem por diminuir a força necessária, coisa que os pequenos não tem sobrando. É bom investimento, e o quadro tem suporte para freio a disco traseiro, mas a suspensão não, e por isso teria que ser trocada), a bike é suficiente para o boy (ou girl) acompanhar os pais naquele estradãozinho básico, já começando a sentir o gosto pelo mountain bike. A blocagem rápida de selim (crianças crescem como foguetes, né?) e, vejam só, uma simples porem leve e relativemente eficiente suspensão dianteira completam o conjunto.

O quadro com gancheira removível e o câmbio Tourney são diferenciais bem legais.
Imagem Soulcycles.com.br

O RevoShift funciona relativamente bem na troca de marchas. Mas o rapidfire funciona melhor.
Imagem Soulcycles.com.br

A suspensão dianteira é um toque a mais nessa ótima bike para crianças.
Imagem Soulcycles.com.br

Ótimo presente para o dia das crianças.

[Esse não é um Publieditorial]

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Publicado em 18/08/2012, em Reviews e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. 5 Comentários.

  1. Oi Paulo!

    É frustrante comprar um produto tipicamente feito para “encher os olhos”, como também desesperador por não poder avisar a todos – e convencer com válidos argumentos! – de que determinado produto é uma péssima compra; que bom que tentas passar este recado por aqui.

    Uma bike para criança, para ser funcional e prática – e que a criança saiba utilizar adequadamente em poucos passos – deve, quando necessário, ter somente trocador de marchas no cassete, seja um cassete de 6, 7 ou 8 “velocidades”, preferencialmente em conjunto com uma única coroa de pequeno tamanho e com proteção para que os dentes, e nem a corrente, possam machucar a criança com facilidade; o menor tamanho dimunui a quantidade de acidentes e evita-se que venha a enroscar-se com facilidade pela menor altura da bike em relação ao solo. O trocador, no sistema “rapid shift”, com dois botões, por ser mais fácil o manuseio pela criança (evita-se trocas de marcha acidentais que acontecem no sistema “Grip Shift” quando em uso por crianças).
    Também manetes e “pinças” de freio sempre em “metal duro”, para evitar deficiêcia de frenagem devido a torção do material pelo torque aplicado. A depender do tamanho da bike, somente o sistema de freio traseiro faz-se necessário (prático e mais seguro para uma criança).

    Desta forma, tem-se “corte de componentes” onde devem ser feitos – não somente por custo, mas também por adequação do “tipo” de uso/utilizador – sobra-se alguns trocados para melhorar os componentes que merecem melhor atenção para uma melhor funcionalidade (câmbio e trocador; freio(s); suspensão – se for para carregar o peso extra de um garfo com suspensão, que ao menos ele funcione “adequadamente” e por um bom tempo).

    O que falta é “vontade” de ensinar ao consumidor “consumir” o produto correto, com o marketing correto, e não apenas publicidade barata baseada da premissa lugar-comum do marketing: “quanto mais, melhor”. É por isto que temos estas bizarrices cheias de penduricalhos – agregando peso – e não funcionais; são funcionais apenas em aparência, não digo na funcionalidade da estética, no parecer com algo de valor, mas sim no aparentarem funcionar (funcionar adequadamente e repetidas vezes com o mesmo resultado).

    É vendida a idéia, a idéia do que não é, mas parece ser. O consumidor, frustrado, quando pode ($), termina gastando duas ou três vezes (ou mais…) até “acertar” em um produto funcional; isto quando não é vencido pelo cansaço das diversas tentativas ($) e resolve ficar com o que tem. O barato sai caro, e quem sempre paga a conta é o consumidor; este que, ainda que tenha conhecimento sobre o que está a comprar, por falta de outras opções de compra, termina por levar o “gato” no lugar da “lebre”. Mesmo estando ciente disto, compra, na tentativa de resolver o problema “em casa”, e descobre que: “ainda que possa ter a pelagem de um, o comportamento é de outro, e que apenas um par de enormes orelhas não fazem uma lebre.”

    Mas dizem que quem não tem cão, caça com gato. Só que caçar com um gato…
    (- E a lebre!? …Que lebre!? Segura que o gato é teu! Triste realidade…)

    Estava com saudades daqui. Que bom que arrumei um tempinho para uma visita!

    Abração!

  2. Acho que poderia, também, ter dado uma olhada também na Caloi WILD 21V, aro 24. Essa sim parece estar no mesmo nível da soul SL 50, acredito eu. Boas pedaladas e vamo que vamo!

  3. Oi pessoal… comprei a 2 meses uma Reebok Laser, aro 24. Grupo e freios (vbrake) shimano Tourney, uma suspa simples e quadro de aluminio (com garantia de 10 anos). Bike preta, bonita além de tudo. Paguei apenas R$539 em uma promoção. Fiquei impressionado com a qualidade da bike. FIca aqui a dica pra quem procura uma solução mais em conta

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