A corrida maluca

Dá a impressão que é o Cidade Alerta, não fosse pela menção à competição. O Tour de France desse ano está, definitivamente, complicado.

Não bastasse no dia 10 de julho – dia de folga – o ciclista Rémy de Gregório ter sido preso (é, preso) sob acusação de envolvimento num caso de doping…. mais coisa aconteceu. Vá lendo, mas primeiro vamos falar da prisão de Rémy.

Pela gravidade das sanções – se dopar não é crime – é provável que o caso envolva outros esportistas e, talvez, o tráfico de substâncias proibidas. Remy já era investigado através de escutas telefônicas há meses e, segundo o jornal L’Equipe, foi “traído por uma ligação no seu celular com um potencial traficante de produtos de doping”.

Rémy de Gregório, da equipe Cofidis, suspenso por acusação relacionada a doping.

Ele, naturalmente, foi suspenso da competição e pelo seu time (Cofidis), e será dispensado se a acusação se confirmar. O Administrador do Cofidis, Yvon Sanquer, comentou que “a polícia seguia Rémy há muito tempo. Eu acredito que teve um problema muito grande para que eles intervenham tão rapidamente. Eles julgaram isso necessário”. Ele declarou ainda que esse foi “um caso isolado que não deve atrapalhar a participação do time no Tour de France e penalizar aqueles que tem nada a se culpar”.

Por acaso, o atual líder do Tour foi questionado sobre o mesmo problema. Bradley Wiggins nega tudo veementemente e, compreensivelmente, ficou puto com muita raiva: “Entendo que isso vem de certas partes da mídia. Eu não acho que eu deveria sentar aqui e justificar tudo o que fiz. Eu não sou um piloto de merda que veio do nada. Fui seis vezes campeão mundial, quarto no Tour, terceiro na Vuelta“.

E, como o sete vezes vencedor do Tour, Lance Armstrong, que está sendo crucificado nesse exato momento, Wiggins usou a mesma a argumentação:

Eu não tenho que justificar. Eu tenho sido testado pela UCI, Deus sabe quantas vezes este ano. Meu sangue foi testado hoje mesmo, em Dauphine, nesta corrida, pela manhã“. Bom. Pelo menos esse daí não vai depor contra Lance.

Aí eu pergunto: porque tanta celeuma? Todo mundo sabe que no esporte de alto nível todo mundo é borderline. Usam o permitido até o limite, às vezes para mascarar o proibido. Os exames tem uma precisão que chega a entediar, de tantos zeros antes dos algarismos e do mg/L. Afinal, o cara é testado milhares de vezes, dá negativo, e, mesmo que ele vá que nem um torpedo, míssil ou motocicleta – seja na natação, no atletismo ou no ciclismo – é para presumir que ou sujeito é inocente. Ou tem um senhor médico. Acho que as coisas tem de ser repensadas.

O caso de Remy é diferente, porque ele foi apanhado com substâncias, segundo a mídia. Ponto para a polícia. Alguém ache um ciclista com umas ampolas no bolso e tudo estará resolvido.

Mas a confusão na competição mais charmosa do mundo não terminou com as recorrentes acusações do uso de substâncias ilícitas. O incrível aconteceu.

Alguém aqui se lembra de Dick Vigarista, da Corrida Maluca, que junto com seu cão Rabugento fazia todas as pilantragens possíveis para retardar os outros competidores? Abaixo, a foto para refrescar sua memória:

Dick Vigarista

Pois não é que ele está na França nesses dias? E jogou uma caixa de tachinhas no caminho dos ciclistas do Tour?

Isso mesmo. Tachinhas.

As tachinhas francesas do Tour.

O diretor da prova, Jean-François Pecheux, admitiu que foram encontradas tachinhas no asfalto. A organizadora da Volta da França, Amaury Sport Organization (ASO), já anunciou que vai apresentar queixa sobre o ocorrido.

Tudo aconteceu no topo da última montanha (Mur de Péguerè) da 14ª etapa (Limoux-Foix), quando pelo menos 30 ciclistas tiveram problemas com pneus furados, inclusive o australiano Cadel Evans, atual campeão do Tour.

Agora imagine, no fim da prova (foi lá pelo km 152), depois de duas montanhas de mais de 1300m, você ter um pneu furado.

Thomas Voeckler (ao centro) e Pierre Rolland às voltas com as tachinhas.

Bradley Wiggins (que também teve um pneu furado), quando soube do acontecido, pediu esportivamente aos companheiros que não apertassem o ritmo até o final da etapa. Ele disse “Nós imediatamente entendemos que havia algo errado. Um ou dois furos podem acontecer. Mas 15 corredores ao mesmo tempo é evidente que não. Acho que foi a coisa mais digna a fazer. Ninguém quer tirar vantagem da desgraça alheia”.

Bom, com isso tudo, vou chamar à superfície meu espírito de porco. Além de lindo, interessante e charmoso, o Tour está ficando, também, engraçado. Parece desenho animado.

Ah. A classificação permanece inalterada.

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Publicado em 16/07/2012, em Competições e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Comentários desativados em A corrida maluca.

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