Luzia Bello, líder do XTerra, fala ao DLAC

Quando falamos em Xterra no Brasil, o nome Luzia Bello tem que estar junto. A triatleta patrocinada por Espaço Tremendão, Orbea, K-Swiss, Hammer Gel Nutrition, Mormaii, OG Design, DKS Bike e Equilibrium Studio,  é o principal nome do triathlon cross country no Brasil. Bi-campeã do circuito Xterra brasileiro (2010 e 2011), Luzia Bello vem sendo destaque em 2012 – vencendo em Natal, Ilhabela  e Teresópolis, ela  lidera o circuito mais uma vez.

Luzia no XTerra Natal onde foi Campeã.
Foto – Russan Correa

O DLAC conversou com Luzia e ela nos falou um pouco sobre seu começo no triathlon, o circuito XTerra Brasil 2012 e também sobre a sua expectativa para a disputa do mundial XTerra em outubro, no Hawaii. A simpatia, carisma e paciência de Luzia aumentaram ainda mais a nossa torcida por ela. Que venha o tri, Luzia!

DLAC: Como se deu sua iniciação no triathlon? E no triathlon cross country?

Luzia Bello: Iniciei minha carreira no triathlon convencional em 1996. Minha primeira prova foi em Santos, no troféu Brasil, onde larguei na categoria amadora durante o ano de 1996. Em 1997 me profissionalizei e obtive bons resultados até o ano de 2000. Em 2002 encerrei minha carreira no triathlon com um Ironman em Floripa, depois migrei para o ciclismo, onde fui  sete vezes campeã brasileira, nas modalidades pista, estrada e contrarrelógio.

Em 2002, fui competir nos Estados Unidos, onde corri por dois anos na categoria profissional de ciclismo. Retornei ao Brasil e corri em várias equipes, nas quais destaco Sundown/São Caetano do Sul, Scott /São José dos Campos e Memorial/Santos, com muitas vitórias. Em 2010, percebi que não estava mais satisfeita com o ciclismo. Queria algo diferente, que me completasse, e decidi correr provas de Cross-Triathlon, que fazem mais meu estilo. Sinto-me muito mais à vontade no X-triathlon e isso se tornou um estilo de vida. A natureza me traz paz, tranquilidade interior, me completa. O mais incrível é você se contagia com o XTerra… me apaixonei desde o primeiro que fiz na cidade de Tiradentes, em Minas Gerais, em 2010.

Hoje fiz bons amigos e somos bem unidos em todos os sentidos. A amizade é muito maior que vencer provas, pois vencer é consequência… e, em relação à amizade, a gente sempre sabe que a galera estará em todas as provas, esperando para contar novidades e dar boas risadas. Por isso sempre digo: “nos encontramos na próxima”.  É muito bom!

Luzia, em Manaus, encarando a chuva na bike.
Foto: Wagner Araujo – Editoria MundoTri

DLAC: Como você vê o crescimento do Cross triathlon no Brasil?

Luzia Bello:  Como comecei em 2010, não sei dizer como ocorria nos anos anteriores, mas do período em que estou dentro da modalidade, o crescimento é contínuo. Isso certamente é devido à estrutura das provas, que a cada ano estão melhores e mais organizadas, e que acabam atraindo um maior número de participantes. Analisando o período desde que entrei no XTerra, percebo que sempre largam na categoria amador muito mais atletas que no profissional, e isso é devido  às metas de cada um, e de como cada competidor encara o triathlon. Você pode não ser profissional, mas curte muito estar em contato com a natureza e fazer parte dessa tribo – somente quem faz um XTerra sabe oque você sente. Desde a Categoria Amadora, de 20 anos até a de 80, não há limite de idade e sim limites para serem alcançados e metas pessoais.

Temos de entender também que XTerra não reúne apenas triatletas, mas também corredores  de “trail run”, “kids run” que é um grande incentivo  às crianças, “swim challenger”, Mountain bike, provas de endurance, ou seja , é um mundo de esportes que acaba atendendo um grande número de atletas off-road.

É óbvio que, se você comparar o  XTerra com o triathlon tradicional, somos um número bem menor, mas creio  que com o passar dos anos a tendência será de grande crescimento. Sempre surge alguém novo no profissional e isso forma um ciclo. No XTerra feminino ainda não há um grande número de mulheres competindo… muitas mulheres acham que não aguentam, mas isso é mito, pois basta fazer uma prova para se apaixonar. Cada um tem de respeitar seus limites, porém vale a pena se aventurar em uma prova ver que consegue se superar. Basta querer e treinar.

Acho muito interessante a iniciativa de trazer atletas estrangeiros para correr aqui, pois assim podemos ver como anda nossa performance com relação aos triatletas de outros países. Isso valoriza muito mais XTerra no Brasil, aumentando o nível da disputa, tornando tudo muito mais desafiador. Eu, particularmente, sou uma pessoa com espírito altamente competitivo e gosto muito dos desafios.

Luzia no XTerra Natal.
Foto: João Vital

DLAC: Como é sua rotina de treinamentos?

Luzia Bello: Não tenho nada de diferente dos demais atletas profissionais. Treino 6 vezes por semana, intercalando  as modalidades. Faço treinos em trilhas, o mais próximo possível da realidade da  próxima prova. Adoro correr em trilhas já que tenho essa facilidade onde moro; a natação, faço em piscina e também no mar, isso me ajuda muito, pois são ambientes bem distintos. Já no mountain bike, pedalo em trilhas e complemento o treino na estrada, com uma road bike. Faço uma mescla de treinos para que eu me sinta à vontade e sem pressão. Treinar tem que dar prazer, não pode virar rotina. Apesar de fazer treinos duros, me sinto muito à vontade no que faço. Não tenho nada programado num papel, hoje é isso ou amanhã é aquilo, procuro fazer as 3 modalidades , mas sempre variando bastante para não ficar tedioso.

Além disso, procuro descansar muito, também, pois isso faz parte do treinamento. Minha dieta é balanceada, mas nada assustador. Apenas evito as famosas besteiras… me alimento com qualidade e faço uma boa suplementação, pois ajuda muito na recuperação e durante o treino.

Para mim minha única rotina é treinar/comer/ descansar (risos). Respeitando essas 3 regras, dará tudo certo.

DLAC: Você é bi-campeã do circuito XTerra Brasil e está caminhando para o terceiro título. No ano de 2012 você só não venceu a etapa de Manaus.  Como está o circuito esse ano? Quais as expectativas para as próximas etapas?

Luzia Bello:  Hoje estou a caminho do  tricampeonato do circuito, o que para mim é uma satisfação pessoal e profissional enorme. Comecei o ano bem, com boas vitórias, e fiquei invicta por 3 etapas. Em Manaus fiquei em segundo, sendo a brasileira mais bem colocada. Agora restam algumas etapas e cada prova é uma prova, procuro focar uma prova de cada vez e não pensar como estarei em tal etapa… ainda é muito cedo para dizer algo, vamos deixar as etapas passarem – procurarei dar o melhor de mim em cada uma delas. Não me iludo: somente serei tri quando correr a última etapa e somar o maior número de pontos, o campeonato só termina na ultima etapa. Estou treinando para isso.

DLAC: Em Manaus você conquistou a vaga para disputar a final do circuito mundial de XTerra no Hawaii, sendo a brasileira mais bem colocada, com um segundo lugar geral apenas um minuto atrás da americana [Shonny Vanlandingham], que já foi campeã mundial. Como foi essa prova? Qual a sua expectativa para disputa do mundial?

Luzia Bello:  Apesar de não ter vencido, vi que estou evoluindo. Falar de uma campeã mundial é difícil, pois a realidade de Shonny (Atleta americana campeã mundial em 2010 que venceu a etapa de Manaus em 2012) é outra. Ela corre muitas provas, em média duas ao mês, viaja a muitos países… então, é impossível eu me comparar a alguém como ela [por causa da estrutura de treinamento e competições disponível]. Mas somente poder correr com uma atleta como ela ou outras atletas estrangeiras, já me sinto muito mais realizada em todos os aspectos, pois acabo aprendendo novas coisas, ideias novas, consigo tirar o maior proveito dessas oportunidades. Para mim os detalhes fazem a diferença e sou uma pessoa que aprendi a observar isso.

O Hawaii com certeza é uma meta que tenho, sou bem realista,sei que estar num mundial não é correr com apenas uma atleta de alto nível, e sim com várias  atletas de alto nível e performance muito além que nós estamos acostumadas. Minha meta é estar ente as top 10. Sei que não é fácil, mas também não é impossível, e meus treinamentos são para realizar esse objetivo.

Recebendo o troféu de vice-campeã, em Manaus: “nos encontramos na próxima”!
Foto: Xterra Divulgação

DLAC: O grande desafio dos atletas brasileiros é o incentivo de patrocinadores.  Quais os seus patrocinadores hoje, como eles te ajudam e qual a parcela dos patrocinadores para você estar no lugar que está hoje?

Luzia Bello: Temos de lembrar que estamos no país do futebol, onde 80% da mídia é focada esse esporte e outros 20% a todas as outras modalidades esportivas [nota do editor: se considerarmos os esportes com bola, como vôlei e futsal, certamente verificaremos que o interesse da mídia passa dos 90% por esses esportes], por isso que temos uma certa dificuldade de patrocinadores. Sempre procurei  batalhar e mostrar aos meus patrocinadores (Espaço Tremendão, Orbea, K-Swiss, Hammer Gel Nutrition, Mormaii, OG Design, DKS Bike e Equilibrium Studio) o valor do meu esporte. Nós estamos numa faixa bem pequena, por isso eu acredito que hoje, para você conseguir um patrocínio não depende somente de bons resultados, e sim você poder passar ao patrocinador o que é teu esporte. Não adianta você apenas enviar um currículo e dizer que é um triatleta off-road, você tem de ir mais além, tem de  passar informações sobre o esporte, apresentar um trabalho de mídia satisfatório, apresentar relatórios de provas e de como está o XTerra no Brasil, hoje. Isso é de  grande valor ao patrocinador. Veja um exemplo simples que sempre ocorre: as principais perguntas do patrocinador são “Qual a quantidade de público presente? “, “Qual o total de atletas? “, “Qual a infraestrutura da prova?”,  “Qual a mídia que o organizador apresenta em geral? “,  “Qual o retorno que a empresa terá em te patrocinar?Como você fará para que a empresa apareça nos eventos e sua marca seja vista?

Eu geralmente faço um balanço anual aos meus patrocinadores, com relação aos números de mídias, incluindo mídia escrita e falada.

Sem trocadilhos, você tem de vestir a camisa do patrocinador, ou seja, ser um parceiro que ajuda a empresa a crescer, e principalmente, sendo um exemplo para os atletas amadores, zelando a marca que te patrocina.

DLAC: Qual o recado que você gostaria de deixar para as pessoas que tem vontade de iniciar no triathlon?

Luzia Bello: O triathlon XTerra irá proporcionar um estilo de vida totalmente diferente de tudo que você possa imaginar… estar totalmente  em contato com a natureza, ver belas paisagens, sentir o limite do seu corpo, uma adrenalina que irá te completar. O XTerra é ir muito além do que você imagina. Ainda te ajuda a respeitar e valorizar cada vez mais a natureza. Entrar no mundo do triathlon XTerra é fácil, o duro é sair!

Grande abraço a todos.

Posts relacionados:
XTerra Manaus está chegando!
Álvaro Gouveia – Jovem promessa no triathlon potiguar
Cid Barbosa e o Triathlon Extremo

Anúncios

Publicado em 29/06/2012, em Atletas, XTerra e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Compartilho da opinião da Luiza. O cross-triathlon é uma prova diferente. O clima é mais amigável e as provas são, ao mesmo tempo divertidas e desafiadoras.
    Abraço,

    • Bem legal, Rodrigo. Estou pensando em participar de algumas provas assim. Por enquanto vou na Solo Mix – 25 de bike e 10 de trekking. Sei que não é nenhum XTerra, mas também não sou nenhum atleta de elite 🙂 Mas o que vale é o espirito, né?

%d blogueiros gostam disto: