DLAC e Escola de MTB Desvendam o Tubeless

Muita gente já ouviu falar de pneus tubeless (sem câmara) para bikes. Alguns se interessam, outros pensam que é bobagem. Então, qual seria a grande vantagem de se usar pneus sem câmara numa mountain bike?

Bem, primeiro vamos analisar o pneu com câmara. Essa configuração impossibilita o uso de pressões muito baixas nos pneus (abaixo de 35 psi), pois isso poderia causar a saída da câmara de ar entre o pneu e o aro, provocando o snake bite (mordida de cobra) que é o furo (ou um rasgo) em dois lugares na câmara, dificultando o conserto. Normalmente – para quem se preocupa com 100 ou 200g a mais – o pneu com câmara acaba ficando mais pesado, se você usar selante. De qualquer maneira, a eficiência do selante em pneus tubeless é incomparável à dos pneus com câmaras e selante – se você não acredita, veja esse post.

O Espírito Outdoor acaba de lançar mais um episódio da série Escola de Mountain Bike, falando exatamente sobre os pneus tubeless. Vale – como sempre – dar uma olhada nos toques do Rodrigo:

E para ver o resto da série Escola de MTB, clique AQUI.

Os pneus tubeless, por sua vez, tem uma série de vantagens:

1) Você poderá usar pressões bem baixas. Isso traz vantagens imediatas: A tração vai aumentar, pela maior área de contato entre o pneu e o solo. Em areia, isso é crucial, para que o pneu não “afunde” e sim “flutue” sobre a areia. Outra grande vantagem é que um pneu com baixa pressão aumenta a absorção de impactos – de fato, trabalha como um amortecedor – tornando a pedalada mais confortável. Dá, inclusive, para sentir algum bob, quando a pressão está muito baixa.

2) Com o pneu sem câmara, em geral você usa selante. Selante = nada de furos (ou pelo menos eles acontecerão com uma frequência infinitamente menor). O snake bite, explicado acima, não acontecerá mesmo usando pressão de 25 psi – simplesmente porque não há câmara para furar.

3) Bom, normalmente o peso das rodas diminuirá, dependendo do pneu utilizado. Isso significa que, tendo menos peso nas partes móveis você poderá andar mais depressa com menos esforço. No fim, menor peso nas rodas significa maior velocidade.

A maioria das bikes, no entanto, não vem com pneus sem câmara, porque rodas comuns e as câmaras são muito mais baratas que rodas tubeless, válvulas e selante (só o par de válvulas custa cerca de 80,00 reais). Então, uma possibilidade real é usar um kit de conversão tubeless (composto de fita para aro, válvulas e selante).

Um dos inúmeros kits de conversão para tubeless Joe’s No Flats.

O ideal, então, é ter rodas tubeless e pneus específicos para tubeless. Nesta situação, basta colocar o pneu UST e o selante e ir embora. Mas se não é seu caso, continue lendo e achará a solução.

A Conversão

A tecnologia de pneus sem câmara para mountain bikes foi desenvolvida em conjunto pela Mavic e Michelin, e é chamada tecnologia UST (Universal System Tubeless). Se você vai comprar novos pneus, considere comprar pneus UST. A diferença entre pneus UST para pneus que não são específicos para tubeless está numa camada de Butil que reveste a parede lateral interna de pneus UST. Esta camada extra de borracha provoca duas coisas: deixa o pneu UST um pouco mais pesado (o que não é bom), mas impede a saída de ar através dos poros das paredes laterais (o que é ótimo), fenômeno chamado wall bleeding. Desta forma, pneus UST podem ser usados tubeless sem o uso de selante, coisa que não dá para fazer em pneus comuns de kevlar (mas o fato é que, por razões óbvias, ambos usam o selante).

Não é todo pneu que dá certo. Os pneus de Kevlar, em sua maioria, são passíveis de utilização tubeless. A Bontrager desenvolveu um pneu mais leve que o UST, o TLR (Tubeless Ready), para serem usados tubeless, mas somente com selante, e que apresentam menos wall bleeding que pneus em kevlar comuns. A maioria dos aros também aceitam kits tubeless, mas a compatibilidade tem que ser verificada por quem vai fazer a conversão.

De fato, pneus de kevlar, embora possam ser usados tubeless, poderão ter uma perda permanente e constante de pressão, por causa do wall bleeding, já que a maioria dos selantes não resolve este problema (o wall bleeding varia em intensidade conforme o modelo do pneu). Recentemente, a No Flats lançou o Eco Sealant, que não é a base de látex e promete resolver o problema do wall bleeding em pneus TLR ou comuns de kevlar, além de selar furos de até 6mm, contra os 3mm dos selantes atualmente em uso (em caso de um rasgo no pneu tubeless maior que 6 mm – ou 3mm, dependendo do selante – você vai precisar usar uma câmara, por isso, sempre leve uma de reserva). Vamos esperar para que o Eco Sealant chegue logo por aqui.

Se seus pneus são de kevlar, estão novos e não forem UST, não se desespere: você poderá usá-los, apenas tendo o inconveniente de ter que calibrá-los com maior frequência (mas você, se não tem, já deveria ter comprado uma boa bomba de pé. E lembre-se: nada de calibrar em posto de gasolina!). Lembre-se, também, que pneus comuns têm a parede lateral (aquela, que provoca o wall bleeding) mais fina – por isso eles são mais leves – e assim, são mais susceptíveis a furos que os UST.

O ideal é você solicitar a conversão das suas rodas em tubeless na própria loja onde adquirir o kit, porque o trabalho é meio chato, sujo e complicadinho. Há uma série de situações que podem ocorrer, e com a qual os mecânicos estão acostumados. É como dizem os dublês: “não tente fazer isso em casa”.

Mas, a título de informação, aí vão três vídeos mostrando as etapas de conversão de rodas DT Swiss comuns (não-tubeless) com pneus em Kevlar, comuns (High Roller 120 TPI atrás e Larsen TT 60 TPI na frente). A conversão funcionou muito bem, mas não foi difícil perceber o wall bleeding do High Roller, pela sua parede mais fina e menor peso. A experiência dos mecânicos que fizeram a conversão contou muito, com seus segredos e macetes. Então, acho que valeu muito a pena.

A Rapanui Bike Store disponibilizou o kit e realizou a conversão das minhas rodas, para teste. Hoje, domingo, testei os tubeless em uma trilha de Parnamirim a Mendes (veja em “Trilhas Mapeadas”), 46 km de muita lama e costelinhas. As 35 psi no pneu dianteiro e 25 no pneu traseiro deram a tração necessária e tornaram a trilha bem confortável. A eficiência contra furos não foi testada, mas por enquanto a nota para a conversão Tubeless é 10!!!

Dicas para pneus com selante (Tubeless ou com câmara)

Não é bom deixar a bike encostada com a válvula para baixo, pois por gravidade o selante desce e pode entupir o bico.

Caso a câmara (ou o pneu, no caso de tubeless), por alguma razão, esvazie, evite enchê-la usando cartuchos de CO2. A Própria Joe’s explica que o CO2 dos cartuchos ressecará o selante bem rápido, anulando sua eficiência, e recomenda esta solução apenas para casos emergenciais. Avisa, ainda, que o CO2 injetado deverá ser substituído por ar atmosférico o mais rápido possível.

Mesmo sabendo que você esteve imune a furos, de quando em vez é bom esvaziar o pneu e re-encher, para liberar o bico e mexer tanto no selante como na câmara (contrair e expandir as paredes para não deixar o selante secar e corromper a câmara).

Como tudo na vida, o selante tem validade, e a câmara com selante terá uma vida útil menor. para evitar problemas longe de casa, uma vez a cada 6 ou 12 meses (no máximo!) eu trocaria a câmara com selante por uma nova.

Não sendo um método infalível, manda o bom senso carregar uma câmara de emergência com bomba. Não custa nada.

[Esse post é um publipost.]

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Publicado em 19/05/2012, em Conheça sua Bike, Novidades na mídia, Publipost e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 7 Comentários.

  1. Muito se preza pelo peso de uma bicicleta. De fato ele interfere no desempenho do atleta, mas seria ele um fator determinante para ganhar uma prova? Um atleta elite se preocupa muito com seu desempenho, faz treinos diários bem puxados e geralmente possui toda uma equipe de apoio, eles desfrutam de bicicletas com menos de 10kg. Realmente eu concordo que 5kg a menos é uma diferença enorme, mas será tão importante? Será que uma alimentação correta e 2kg de músculos a mais no atleta não tornariam essa diferença insignificante?
    É uma coisa a se pensar quando possuimos um investimento muito superior na bicicleta se comparado ao nosso próprio corpo.

    • Oi Alvaro! Bem, eu acho que no ciclismo competitivo, onde se ganha por segundos (ou minutos, em ultramaratonas), e onde todos treinam com a mesma dedicação e apoio, o peso faz a diferença, sim. Isso é inclusive comprovado fisicamente, e falo de gramas, não de quilos.
      Mas no meu caso, por exemplo, não troco minha full 12+ por nenhuma HT sub 9, não. Eu quero mais é chegar inteiro! E, de preferencia, sem ter que remendar pneu. Mas cada um tem a sua onda, né? Rsrs… Grande abraço!

  2. Júlio César

    Aprendendo mais e mais, infelizmente estou trabalhando em regiões da amazônia com pouco acesso à internet, por isso aproveito quando tenho oportunidade. Belo tópico, parabéns.

  3. Em Manaus temos trilha todos os fins de semana! Temos o Grupo Jungle Bike Club que organiza até campeonatos e muito bem organizados. Sou do interior de São Paulo e posso dizer que não deve em nada a ninguém. Corridas bem feitas, com hidratação rm até 4 pontos sendo dados agua e isotonico Powerade. E por isso estendo o convite a quem tiver afim de conhecer a floresta e ainda praticar mountain bike a vir para cá.

  4. No video, não vi ele colocando a fita adesiva e em seguida a fita de borracha que serve de encaixe para o pneu, como a da foto do kit, só vi ele passando uma fita duplamente no aro, e a válvula usada no video é solta, e não integrada à fita como a da foto. Seria um kit diferente com método diferente de aplicação? Quero fazer isso na minha Vzan everest XC, mas não sei qual o kit mais seguro para uso atualmente.

    • Jony, há vários kits diferentes, para cada tipo de roda, e a instalação de um pra outro difere um pouco. Não acho que exista para a Everest, teria que procurar um compatível.
      Sugiro você mandar instalar num revendedor autorizado No Tubes, porque às vezes a instalação é meio chatinha. E fica melhor se você usar pneus UST.
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