Ciclismo – esporte de risco?

Anteontem, mais um ciclista morreu atropelado. Eduardo Furlan, conhecido como Dulão, foi atropelado na Rodovia dos Bandeirantes, altura do quilômetro 136, em território de Santa Bárbara d’Oeste. O acidente, envolvendo o ciclista e um Peugeot 307, aconteceu às 7h15.


Eduardo Furlan morreu atropelado na Rodovia dos Bandeirantes, dia 9.


De acordo com os policiais Rodoviários Furlan transitava com a bicicleta, no sentido Limeira/Santa Bárbara, quando o veículo  colidiu na traseira da bicicleta.

Não quero, aqui, fazer um pré-julgamento. Não sabemos as circunstâncias do acidente, então fica difícil apontar um culpado.

Mas, de acordo com as seguradoras, o ciclismo é um dos esportes que mais matam. Não sei como são feitas estas estatísticas, mas é fato que o ciclismo urbano ou em rodovias contribui bastante para esses números. E isso não é uma coisa que acontece só no Brasil.

Há 3 anos, a piloto de downhill Rachel Aterthon (irmã dos também pilotos de downhill Dan e Gee), enquanto treinava na sua road bike sofreu um seríssimo acidente, quando foi atropelada por uma pickup. Além dos cortes no rosto e corpo, Rachel teve um dos nervos do ombro esquerdo machucado, o que levou a uma cirurgia onde nervos da perna foram transplantados para recuperar o nervo lesionado e evitar o comprometimento dos seus movimentos do braço.


Rachel enquanto era atendida após o acidente.


A cena do acidente dá a idéia da gravidade do caso. Gee declarou, depois, que quando viu Rachel caída ali e o estado da bike e do carro que a atingiu pensou “Deus, minha irmã está morta”.


Não restou muito da nova Cervélo de Rachel para contar a história.


Rachel não é qualquer uma, não. Nem tampouco uma ciclista inexperiente. Com uma história de vitórias, vocês podem conferir no vídeo abaixo a performance dela.



Então, vamos parar para uma reflexão: o que pode causar um acidente tão grave, a uma pessoa tão experiente? Rachel não ia só, seus irmãos pedalavam com ela (dá para imaginar como foi tenso para eles também, na hora do acidente) e um grupo é muito visível. O acidente foi durante o dia (pela manhã).

A verdade é que, às vezes, não há muito o que possa ser feito para evitar estas tragédias. A maioria dos casos de atropelamento em rodovias são de ciclistas pedalando corretamente pelo acostamento. Do ponto de vista do ciclista, é inevitável.

Enquanto nós, Mountain Bikers, podemos nos dirigir às trilhas (onde também não estamos livres de motociclistas e quadriciclos desembestados), o pessoal de ciclismo de estrada não tem opção. É se arriscar mesmo.

A conscientização tem que vir do motorista, a fiscalização tem que ser constante, e a lei seca tem que ser, sim, mais dura.

Rachel simplesmente teve sorte. Ela está de volta às pistas, e bem, como vocês podem ver a seguir.



Infelizmente, Eduardo e tantos outros (é só por no Google “Ciclista atropelado em rodovia”) não tiveram a mesma sorte. Fiquemos espertos.


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Publicado em 11/05/2012, em O que eu acho e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Júlio César Rodrigues Magalhães

    Concordo, pois todo cuidado é pouco mesmo, o respeito que o maior tem que ter pelo menor sempre terá que prevalecer mas mesmo assim pedale por você e pelos outros, então ciclistas preocupem-se também com os pedestres. Na boa velho, a imagem dela após o acidente é meio chocante!

    • É verdade! Acho que temos de pedalar com cuidado, sim. Minha preocupação é que às vezes – ou seria geralmente? – não há cuidado que resolva. Ser atingido por trás quando se pedala pelo acostamento é um exemplo de uma situação que nem mesmo o ciclista mais experiente pode evitar. De minha parte continuarei nas trilhas, mas meus amigos ciclistas de estrada e triatletas são foco de minha constante preocupação.
      A foto de Rachel Atherton é chocante, mesmo, mas o objetivo não é dramático, apenas mostrar a que estão (mais) sujeitos os ciclistas de estrada. Além do mais, a imagem só foi postada porque ela ficou bem; na foto do acidente do Eduardo uma parte foi cortada justamente para evitar sensacionalismo. Grande abraço, Julio, pedalemos com cuidado e que Deus nos proteja.

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