Calibrar o pneu enquanto pedala…?

Às vezes a gente pensa que  a tecnologia atingiu seu limite: carbono, full suspensions, Propedal, Brain, Tubeless… o que mais faltam inventar? Sou do tempo das Monaretas, Caloi 10 e, por muito favor, uma Giant Sedona de Cro-Mo e 21V – hardtail, garfo rígido – que me trouxe muitas alegrias, diga-se de passagem.

Então, nunca deixo de me surpreender quando vejo um produto REALMENTE novo, como os câmbios eletrônicos Di2 para Speed, ou os câmbios hidráulicos Acros. E foi o que aconteceu – mas, admito, me surpreendeu bem mais do que qualquer outra inovação que eu tenha visto para mountain bikes desde a introdução da suspensão dianteira.

Para quem pedala competitivamente, perdoem-me o trocadilho irresistível, é uma mão na roda. Em mountain bike só não estamos toda hora mudando a calibragem dos pneus porque é tecnicamente inviável, mas, pela mudança constante de terreno isso é realmente necessário, quando o objetivo é performance. Todos sabemos que o pneu rola melhor mais cheio, e tem mais tração mais vazio, e que em estradas mais compactas quanto mais cheio melhor, enquanto que em areia solta 30 psi faz você andar com muito mais facilidade. Mas parar para secar, calibrar, voltar a pedalar, parar de novo, encher, calibrar… não dá.

O novo sistema de tração para mountain bikes - Adaptrac
Fonte: Adaptrac.com

Pois a Adaptrac está desenvolvendo um produto para você assobiar e chupar cana ao mesmo tempo. Veja aí:

O Adaptrac é um sistema composto por cubos especiais (ou as rodas completas, se você quiser), uma válvula de controle duplo e um cilindro de C02 com regulador de pressão. Assim, a calibragem dos pneus pode ser aumentada ou abaixada enquanto se pedala, com um simples toque nos botões de controle no guidon. A pressão dos pneus é exibida em medidores analógicos montados no guidon. Embora use cubos especiais, as rodas podem ser removidas normalmente. ADAPTRAC usa cartuchos de CO2 recarregáveis que variam de 110 a 550g. Agora você pode ajustar a pressão dos pneus na pista – em segundos!

O cilindro fica alojado no suporte de caramanhola.
Fonte: Adaptrac.com

O sistema na roda dianteira.
Fonte: Adaptrac.com

O sistema na roda traseira.
Fonte: Adaptrac.com

Os componentes

Cubos: De alta qualidade, são o coração do sistema. Eles permitem a transferência do ar do reservatório (um cilindro de CO2 no estilo dos usados em paintball, que fica alojado no suporte de caramanhola) para o pneu. A roda pode ser retirada normalmente, bastando que se feche a válvula no avanço do guidon e a pressão se manterá.

O sistema, com destaque para os cubos.
Fonte: Adaptrac.com

Botões de controle: localizados no avanço, os botões permitem encher e secar os pneus, e, junto com medidores analógicos, checar a pressão atual de cada pneu.

Botões de controle e manômetros.
Fonte: Adaptrac.com

Um cartucho de 350g de CO2 permite 10 ciclos completos, de 20 a 50 psi para cada pneu (26″ x 2.35).

Quer saber mais? Clique AQUI.

Os problemas de compatibilidade:

Os tipos de eixos existentes no mercado – para garfos – são de diâmetro de 9 mm (os tradicionais, chamados QR  – Quick Release ou blocagem rápida – Open Dropout) ou 15 mm T/A – Tru-Axle. Alguns garfos Rock Shox são 20mm de diâmetro. Padronização, como se sabe,  não é algo muito considerado na indústria das bicicletas. O Adaptrac usa – somente – o 15 mm T/A. Assim, pode ser que você tenha de trocar o garfo para instalar o sistema.

Na roda traseira, o Adaptrac usa o novo sistema, com 12mm de diâmetro x 142mm de comprimento. Isso é um limitador sério, porque não será todo mundo que vai estar disposto a trocar o quadro para usar o sistema. Quem sabe a Adaptrac não desenvolverá um sistema para os quadros que aceitam eixos de 146 mm atuais. O produto ainda está em nível de protótipo, então o feedback dos interessados pode fazer a empresa pensar num desenvolvimento paralelo, dependendo da demanda. Vão lá, manifestem-se!

Claro, há a consideração do peso adicional na bike, que não pode ser esquecida – o sistema adiciona cerca de 690g à bike. Eu, que gosto da bike leve mas não sou maníaco, acho que pode valer a pena.

 O blog já está em contato com a Adaptrac, e promete divulgar as novas informações – e mesmo quando o sistema será vendido no Brasil – assim que disponíveis. Vamos torcer para que chegue logo por aqui, pelo menos para podermos testar.

Dica do post: Tullio Raposo – Valeu, Tullio!



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Publicado em 26/04/2012, em Reviews e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Sei não… vários problemas! Peso (e vai roubar espaço de uma garrafa de água, no mínimo, além de espaço no guidão para instrumento – roll book/gps/velocímetro/odômetro), compatibilidade, já abordada, preço (nem me atrevo a pensar quanto seria a facada do conjunto completo de cubos, mostradores, e tubos), fragilidade (imaginem o estrago que um graveto mais duro, que rompe os aros de aço, que dirá um tubo de borracha…) e por fim, pra mim, comprar qualquer produto em primeira geração de desenvolvimento é ser cobaia (só usaria se ganhasse, ou seja, se eu fosse pago pra testar o produto!!)… Conselho para os bikers normais: estude a trilha antes e deixe a calibração em uma média para o percurso! 😉

    • Não sei se é para todo ciclista, mesmo, acho que é mais para quem busca performance, e para esses o preço não conta. Uma das caramanholas é dispensável, lembrando que mochilas de hidratação de até 4 litros as substituem com vantagem. Em relação ao rompimento dos tubos, os freios hidráulicos estão aí para mostrar que esse tipo de acidente, embora aconteça, não é tão freqüente. O objetivo da modificação da calibragem é justamente a enorme variedade de tipos de terreno que existe em provas bem montadas, então estudar o terreno para uma calibragem fixa não seria de grande valia. O peso e a questão de ser um produto em desenvolvimento, sim, são pontos a considerar, mas imagino um exaustivo programa de testes e atletas patrocinados antes do produto ir a mercado. Por fim, creio que a maior ajuda é em provas de velocidade, não em enduros, onde não se usa Rollbook nem, geralmente, GPS. Para trilhas recreativas também considero o produto supérfluo.

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