Cabos e conduítes

Você já esteve, certamente, na situação – extremamente desagradável, diga-se de passagem – de ter marchas que não entram, saltam duas catracas por vez, ou quando você reduz para encarar aquela subida… nada acontece!

Bom, claro, isso pode ter várias causas: um câmbio desregulado é relativamente comum, principalmente em linhas de entrada como o Acera ou Alivio, ou a gancheira pode estar empenada. Neste último caso, só o câmbio traseiro seria comprometido.

A gancheira, quando empena por causa de algum impacto, também pode causar mau funcionamento do câmbio traseiro.

O problema, no entanto, pode ser de fácil solução e residir nos cabos e conduítes. E é deles que vamos falar agora.

Primeiro, o conduíte deve ser de boa qualidade (boas opções são Gore, Shimano XT/XTR, Clarks e Jagwire). Alguns tem revestimento interno em Teflon, e isso faz com que o cabo deslize com maior facilidade pelo seu interior. Isso é importantíssimo, pois quando o cabo emperra, a marcha não troca (ou as pastilhas ou sapatas de freio, no caso de discos mecânicos ou vbrakes, não voltam para a posição correta, raspando no aro ou disco). Em câmbios convencionais (top-normal) o problema é maior passando para as catracas menores, quando o cabo é solto –  apertando-se o gatilho menor, com o indicador.

Conduítes de excelente qualidade: Shimano, Clarks, Jagwire e Gore.

Tipos de conduítes. Os revestidos internamente com Teflon funcionam melhor.

Sabendo que o cabo deve deslizar com facilidade dentro do conduíte, e que estes devem ser de boa qualidade, um segundo passo é no corte do conduíte. Eles são vendidos em rolos, e cortados no tamanho necessário para cada bike. O alicate de corte deve ser bem amolado, caso contrário amassa a ponta do conduíte, comprometendo o deslizar do cabo.

À esquerda, cortando o cabo e o conduíte. À direita, alicate de corte de cabo e conduíte Park Tools

O cabo deve ser de inox, sempre. Ele também deve ser cuidadosamente cortado (são vendidos num tamanho padrão, maior que o ideal) e sua ponta protegida por um terminal de alumínio. Jamais deixe um cabo sem terminal – ele fatalmente desfiará, comprometendo seu funcionamento e criando a possibilidade de cortes na pessoa que os manusear (ou manusear a bike). Quem é realmente perfeccionista, põe uma gota de solda na ponta do cabo, podendo, nesse caso, usar ou não o terminal. Isso é bom, pois facilita a retirada e inserção do cabo no conduíte para limpeza.

Terminal de cabo

Terminal de cabo (amarelo) - nunca deixe seu cabo sem o terminal!

Como fazemos mountain bike, com muita lama e algum caos, ocasionalmente o cabo e o conduíte precisam ser limpos. Supondo que o cabo esteja em bom estado, retire-o cuidadosamente do conduíte e limpe o conduíte internamente com algum lubrificante em aerosol (gosto do Silicone 3M). Limpe também o cabo, não deixando nenhum resquício de lama no seu interior (o lubrificante deve sair limpo na outra ponta).

Essa limpeza não é necessária frequentemente. Um fator que diminui a necessidade desse procedimento é a qualidade das ponteiras, que podem ser de metal (as piores), de plástico ou com protetores de borracha (estas últimas são as mais eficientes). Se não entra água ou lama, raramente é preciso lubrificar o interior dos conduítes.

Ponteira de metal - esse tipo de ponteira facilita a entrada de água e lama no conduíte, não sendo indicada para mountain biking.

Ponteiras de plástico vedam um pouco melhor.

Os terminais de borracha vedam com perfeição. Se você anda muito em lama e não quer dor de cabeça, escolha este.

Então, com esses cuidados simples, provavelmente seu câmbio (ou freios, caso sejam a cabo) irá funcionar muito melhor. Com o equipamento certo você mesmo pode fazer os procedimentos, mas se você não sabe o mínimo de mecânica (deveria saber, pois na trilha em geral não há nenhum disponível), qualquer bom mecânico poderá fazer a tarefa para você.

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Publicado em 11/04/2012, em Conheça sua Bike e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. 7 Comentários.

  1. Mais um ótimo artigo,parabéns Paulo,continue assim meu amigo,sempre aprendo mais e mais com seu site!
    Abraços!

  2. Sou fã dos Jagwire. Perfeitos manutenção zero. Funcionam uma beleza. Belo post.

  3. Nilo Ezequiel

    Parabéns pelo blog. Gostaria de saber que oficina de Natal você me indicaria para fazer revisão dos meus cabos, freio a disco hidráulico e suspensão RST Gila. Obrigado!

  4. Estou terminando de montar minha bike e este post foi muito esclarecedor, obrigada. Estive procurando os kits Jagwire e são difíceis de encontrar aqui no Brasil… pois bem, encontrei, mas é do modelo Jagwire Hyper. Este é tão bom quanto o Ripcord? E encontrei também o Shimano XTR. Qual dos dois você me indica: Jagwire Hyper ou Shimano XTR?
    Agradeço a ajuda!

    • Olá, Karla! Desculpe a demora em lhe responder. Em geral respondemos mais rápido, mas a seção de dúvidas dos leitores do blog realmente nos está dando o que fazer, e não estamos dando conta.
      Jagwire é sinônimo de qualidade. A Hyper é considerada um upgrade na linha dos produtos OEM da Jagwire (produtos que são fabricados e direcionados ao mercados das montadoras – em geral não são vendidos para o consumidor final). São, certamente, bons produtos, mas inferiores aos Ripcord, linha premium da marca.
      Uma coisa importantíssima quando se fala de conduítes é a ação suave, resultado do deslizar perfeito do cabo no interior dos mesmos. Essa ação suave completa a ação perfeita dos melhores câmbios – XX, X0, XT ou XTR, por exemplo. Um câmbio top não funcionará com todo o seu potencial quando usado com um conduíte mais simples, sujo ou desgastado. A tecnologia Linear L3, usada nos Ripcord promete exatamente isso: uma ação suave e precisa do cabo.
      XTR também é um excelente conduíte, mas não tenho um comparativo entre eles e os JW. Eu uso Jagwires OEM, e acho excelentes; como os Hyper são melhores que os OEM, acho deve valer a pena.
      Li em alguns reviews internacionais que, dependendo da bike, o kit Jagwire pode ser curto (ou seja, o conduíte pode ser pequeno) e você ter que pedir dois kits para instalar na sua bike. O ideal é ver o tamanho do kit (conduíte, principalmente, os cabos são suficientes) da sua bike e conferir com o tamanho do kit que você vai pedir. A recomendação vale para o kit Shimano também.
      Se você é daquelas que gostam de pedir coisas lá fora, pode valer a pena tentar esse link: http://bit.ly/Wmwmon.
      Besteira suprema, mas os Jagwire vem numas cores legais, o que pode deixar a sua bike com um visual realmente diferenciado.
      Grande abraço

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