Specialized Camber

Ok, não é porque eu tenho uma e sou louco por ela. Mas, na minha opinião, a Camber é, hoje, o melhor custo-benefício entre as bikes trail à venda aqui no Brasil.

E vou dizer porque eu acho isso. Primeiro, a versatilidade do modelo: Você quer uma 26″? Tem. Quer uma 29″? Também tem. Em carbono, nas 29 e em alumínio nas 26, com componentes top ou intermediários, a Camber existe do jeito que você quer.

Ah, vá lá: você já tem uma excelente HT e quer só o quadro? Camber disponível (em alumínio M5, com caixa de direção cônica, movimento central sem rosca tipo Press Fit e gancheiras com espaçamento de 142mm e eixo passante com 12mm).


Quadro Camber Elite M5 + Fox Triad


E o preço, para padrões brasileiros, é bem razoável, embora a bike não seja exatamente barata.

A Camber é uma Trail Bike – um conceito que veio para definir bikes intermediárias entre o XC (cross-country, modalidade onde predominam os estradões, com ênfase na velocidade) e o AM (all-mountain, modalidade onde os desníveis são verdadeiramente acentuados), como a já conhecida Stumpjumper FSR. Para isso, conta com uma suspensão traseira com link FSR e 120mm de curso nas 26″ (110 mm nas 29″), o que torna a bike segura e confortável. A 26″ vem na versão Comp e a 29″ (seguindo a tendência atual) em quatro versões: Camber, Camber Comp, Camber Comp Carbon e Camb Expert Carbon Evo R.



Camber Expert Carbon EVO R 29


Camber Comp 26


A bike que testei é uma Camber Comp 26″. Com quadro em alumínio M4 (liga desenvolvida pela Specialized) hidroformado (na hidroformagem os tubos são submetidos a um fluido hidráulico em alta pressão, num molde, de forma a se obter shapes complexos, como tubos de espessura variável – mais espessos onde são maiores os esforços e mais finos onde se pode reduzir o peso sem comprometer a resistência), que faz a bike ficar leve e robusta ao mesmo tempo.




A Comp vem com Shock RS Ario RL com trava, que é bem acessível, facilitando o bloqueio da suspensão em terrenos verdadeiramente planos.



O garfo original é um Rock Shox Recon Silver TK, pneumático de 120mm, que foi substituído por um Manitou R7 com trava MILo (trava remota) por causa da trava no guidon e pelo peso, bem menor na R7. A alteração do curso de 120mm para 100mm alterou muito pouco a geometria da bike – o Axle to Crown da RS é 498mm, e da R7 483mm – a frente caiu apenas 15mm de diferença, o que não comprometeu a dirigibilidade nas descidas.



Aliás, nas descidas a Camber mostra a que veio. Embora suba bem, é impressionante o trabalho da FSR “grudando” a roda traseira no chão, dando uma incrível sensação de segurança nos downhills mais alucinantes, cheios de erosões, que encontramos por aqui. Se você tem a técnica, dá para dar pequenos saltos – como o que o ciclista dá, no vídeo lá em cima, aos 52″ – sem medo de ser feliz.



Os câmbios SLX com trocadores Alivio 27V dão conta do recado, mas substituí por XT por estar mais acostumado com o feeling dessa linha.




Os pneus Specialized The Captain Sport 60 TPI tem bom grip para trilhas, mas os considero um pouco pesados, talvez adequados para terrenos MUITO acidentados. Para o meu estilo de pedalada e terreno em que pedalo, basicamente terra, com apenas trechos em single track com raízes e pedras, o Maxxis High Roller e Larsen TT me parecem uma escolha melhor e com metade do peso (no meu caso). Os aros DT Swiss 445D de parede dupla, com 28 furos no dianteiro e 32 no traseiro dão segurança (e charme) sem aumentar o peso.

Os freios Tektro Draco com rotor de 180mm na dianteira e 160mm na traseira também funcionam a contento, mas eu senti menor modulação e um pouco menos de potência quando comparados aos Deore que utilizava anteriormente.



Tendo um quadro de garantia vitalícia, a Camber merece ser comprada sem medo dos ups futuros. Grupo Dyna-Sys 30V e garfo e shock Fox estão na programação a médio prazo.

O Selim Spz Riva MTB Body Geometry com 143 mm de largura se mostrou extremamente confortável. Me adaptei a ele bem melhor que ao Fizik Gobi ou o Selle Italia Gel Flow.



Em relação ao modelo 2011 (testado) a Camber 2012 não apresentou diferenças além do grafismo (muito bonitos por sinal).


Então, para quem planeja comprar uma bike para trilhas, seja para longos passeios com performance e conforto, seja para competições mais sérias, com certeza a Camber é a escolha mais acertada, sem pesar muito no bolso. Altamente recomendada.

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Publicado em 26/12/2011, em Reviews e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. 7 Comentários.

  1. Diogo Henrique de Oliveira Brandão

    Comecei a pedalar recentemente e o seu site está sendo importante nesse início!
    Gostei muito do artigo, quando comprei minha bike, uma GT Avalanche 2.0, nem sabia da existência de Specialized, Giant, etc.
    Sei que quando eu vi uns vídeos com a Specialized Camber Comp deu aquela vontade de comprar rs
    o que é triste é ver que enquanto aqui no Brasil ela custa R$ 12 mil, nos Estados Unidos você acha a mesma bicicleta por $ 2.500, $ 2.600
    Você sabe a diferença da Camber para a Camber Comp?
    A sua Camber Comp é 20 ou 30 velocidades? Pq a 2013 eu vi que são 20V
    Tem muita diferença para as 27, 30V?

    • Oi Diogo! O post que você leu, sobre a Camber, refere-se ao modelo 2011, aro 26″ (não é mais fabricada) e 27V.
      A linha Camber foi completamente reestruturada. Agora todas são aro 29″. Abaixo segue um resumo das especificações. Obviamente, do modelo mais simples para o mais pro há sempre um refinamento nos componentes que não citei. Por exemplo, todos os freios são hidráulicos, mas na Camber 29 temos os Tektro Draco, bem simples (mas eficientes), enquanto que na Camber Pro Carbon 29 temos os sensacionais Custom Avid X0 World Cup R.
      Veja as diferenças básicas (Quadro, transmissão e garfo) dos modelos oferecidos nos EUA e Brasil. Coloco o preço sugerido pela SPZ em ambos os países; nas bikes que só tem o preço em USD é porque estes modelos não são vendidos aqui.
      Camber 29: Quadro em alumínio M5, 27V (FD-SLX/RD-Deore/Shifters-Alivio), garfo RockShox XC 30 (U$ 1.900,00 / R$ 9.599,00)
      Camber Comp 29: Quadro em alumínio M5, 20V (X7/X9/X7), garfo Rock Shox Reba (U$ 2.600,00 / R$ 12.399,00)
      Camber Comp Carbon 29: Quadro carbono Fact 9m e balança em alumínio M5, 20V (X7/XT/SLX), garfo Rock Shox Reba(U$ 3.800,00 / R$ 16.999,00)
      Camber Expert Carbon EVO R 29: Quadro carbono Fact 9m e balança em alumínio M5, 20V (X7/X0/X9), garfo RockShox SID 29 RLT (U$ 5.500,00)
      Camber Expert Carbon 29 Quadro carbono Fact 9m e balança em alumínio M5, 20V (X7/X0/X9), garfo FOX Float CTD Performance Series (U$ 5.500,00 / R$ 21.999,00)
      Camber Pro Carbon 29: Quadro carbono Fact 9m e balança em alumínio M5, 20V (X0/X0/X0), garfo FOX Float Factory 29 (U$ 8.000,00)
      Nenhuma é vendida com 30V. O modelo básico é 27V, os outros são 20V. Se 20V é melhor que 30V? Essa é uma discussão bem controversa, mas, na nossa opinião, é uma escolha estritamente pessoal, resultado do que o ciclista busca: performance, conforto, facilidade, tipo de terreno predominante nas pedaladas e condição física.
      Por fim, há duas coisas a se atentar: as geometrias variam conforme o modelo escolhido; assim, na aquisição de uma bike deste valor (mesmo comprando nos EUA), recomendamos fortemente um Bike Fit antes da aquisição. Além do mais, para os de biotipo mais avantajado, dos modelos Comp Carbon para cima existe, também, o tamanho XXL (nas duas primeiras o maior tamanho é o XL).
      Vale a pena comprar no exterior e trazer para cá? Ah, esse é o tema do nosso próximo post, na semana que vem.
      Grande abraço, e não esqueça de curtir a nossa FanPage para ficar ligado nas novidades! É aqui: http://www.facebook.com/pages/Da-Lama-ao-Caos/333903203299235.

  2. Diogo Henrique de Oliveira Brandão

    Parabéns pelo site, temas relevantes muito bem abordados.
    E obrigado pela atenção, resposta bem detalhada.
    Eu imaginei que fosse mais essa questão dos componentes mesmo, vi a Camber Comp e me pareceu uma bike muito boa, só que a Camber é mais barata e por isso quis saber se tinha muita diferença. Tenho até olhado outras marcas e modelos, como as Giant Trance e Reign, mas ainda estou aprendendo sobre bicicletas e também acho que vou segurar a minha mais um tempo, mas é bom já ir se situando né..
    Sobre o Bike Fit, já agendei com um especialista aqui de Brasília, só que ficou pra junho!
    Quanto ao próximo post, quero muito ler, até pq tenho pensado a respeito, o que envolve uma compra no exterior, impostos, companhia aérea, etc.
    Eu nem uso facebook, mas vou falar pra minha mulher curtir a fanpage lá, e o site site já está favoritado também. Abs.

  3. Mito boa a materia, parabens ! Estou justamente pensando em comprar um quadro Camber 2011 para substituir pela minha Epic… Ja vi que o canote e o cambio dianteiro nao sao intercambiaveis. Agora ouvi dizer que a Camber nao aceita um cambio 27v (3×9), voces sabem se isso é verdade ? Valeu pela ajuda !

    • Oi Eduardo!
      Claro que aceita – a minha é 3×9.
      E porque não aceitaria? Qualquer bike aceita, é só, no máximo, trocar cubos e arrumar um pedivela compatível com o central.
      Abração!

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  4. Eu tinha comentado ali em cima que tinha começado a pedalar recentemente, e agora, após quase um ano de pedal, comprei a minha full! Comprei a Camber Comp 26 2012, a mesma que a sua, não?! Muito boa a bike, só estou meio chateado com o peso dela, eu vim de uma HT Large (comprei o tamanho errado) e agora uma Full XL, tô sentindo a diferença. Tirei a Camber da loja com 14,5 kg, sem contar os acessórios, como bolsa de selim com câmara e ferramentas, bar ends. Para o tipo de trilha que eu faço, tipo 60 km, e vou fazer daqui uns dias uma de quase 100, com muita subida, tá pesando. Queria tirar pelo menos uns dois kg dela, trocar o pedivela, que é octalink, e mexer nas rodas, pneus, cubos, o que você acha? Eu vi que o aro é DT Swiss, será que compensa manter e trocar só os raios, cubos e blocagem? Se ela ficasse com uns 13 kg, acho que já seria de grande ajuda para as subidonas que eu curto encarar!! Valeu e mais uma vez parabéns pelo site

    • Oi Diogo. Primeiramente, o seu comentário provavelmente será o último que responderei por um bom tempo – a partir de hoje os comentários estarão fechados, e também não responderei mais dúvidas por e-mail por esse tempo, resultado de outras prioridades na minha vida (inclusive pedalar) que foram comprometidas com a minha dedicação ao blog, que por um tempo, também, receberá apenas posts esporádicos.
      Para tirar peso na Camber (gastando pouco), na minha opinião é melhor se focar em trocar os pneus, que são pesados, e, gastando um pouco mais, o garfo. Daí dá para tirar o quilo e meio que você deseja.
      Como digo em um post que está em algum lugar no blog, tirar peso da bike é (muito) caro. Depois de pneus e garfo, foque-se no grupo (um SLX deve tirar alguma coisa, um XT bem mais). Por último é cockpit: selim leve, canote guidon e mesa em carbono. Mas se prepare para a conta :-D.
      Grande abraço!