Bizarro

Já estou acostumado com bikes de entrada, completamente inadequadas para trilhas que se intitulam mountain bikes. A lista de marcas (Houston, Caloi, Prince, Tracks&Bikes) é longa, e embora algumas de suas bikes mais baratas (Caloi Supra e SK, para citar só duas) sirvam para um inciante com um orçamento absolutamente restrito dar suas voltinhas, deveriam ser vendidas simplesmente como bikes urbanas de baixo custo, e não como mountain bikes.

Até já fui insultado em um fórum que participo por dizer isso. O usuário alegou que eu discriminava os menos favorecidos, sugerindo que só endinheirados poderiam praticar mountain bike.

Nada disso. Mas, claro, por razões de eficiência e segurança precisamos ter um padrão mínimo no que se refere a equipamentos em esportes que praticamos. Um exemplo clássico é o automobilismo: você não pode querer se aventurar num autódromo num carro de passeio – é necessário um (alto) investimento em segurança para participar de competições.

Assim, o leigo é frequentemente enganado pela indústria nacional que traveste bicicletas que mal se prestam para uso urbano em mountain bikes.

Um exemplo típico são as fulls suspensions de 700,00. Todas com balança URT (tecnologia completamente ultrapassada), pesadíssimas, com grupos os mais simples possíveis e vbrake de última categoria. Já cansei de falar delas aqui, como bikes totalmente inadequadas para mtb.

Mas, como colaborador do Yahoo Answers, minha surpresa chegou ao limite ao ver uma pergunta sobre a qualidade da “Oceano Snapper”. Nunca tinha visto essa marca, e fui pesquisar.

A mais nova full suspension nacional

Qual não foi a minha surpresa ao ver o mais novo lançamento para bike de downhill (?) da indústria nacional. Pelo menos para downhill ela tem um ponto a favor: pesa 20 quilinhos.

Com TRIPLA (??) suspensão, 18 marchas, balança URT (tinha de ser), quadro em aço carbono (!!!) e câmbios Yamada, para nem falar do resto, essa jóia é vendida por 711 pilas aos incautos de plantão.

Nem vou considerar que com 711,00 você não monta nem uma HT decente com suspensão ultrabásica e grupo Altus (que daria para andar num estradão sem muitas surpresas), mas uma full é demais.

Porém, a superação ainda estava por vir. A curiosidade chega ao extremo quando vemos o termo Tripla Suspensão. Convenhamos, não é algo comum em bikes.

Creio que a inovação veio da genial idéia do projetista (?!?!?) do quadro, ao se inteirar do preço médio de um shock dessa categoria. 12 dólares? Porquê então não colocamos logo dois????

Ao ver a foto, fiquei literalmente mudo. Sem querer me alongar nos comentários, e sabendo que uma imagem vale mais do que mil palavras, deixo a avaliação com vocês, leitores.

É de deixar qualquer um sem palavras.

E a todas essas o governo colaborando com o aumento de impostos da já caríssimas bikes importadas.

 

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Publicado em 19/11/2011, em O que eu acho e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Também fiquei mudo…

  2. Sou um aspirante (ainda nem comecei a praticar) mas tenho me inteirado sobre o assunto bikes em sites especializados até mesmo pra não cometer erro logo no início (a compra) e me arrepender. Até eu manjo que esse produto aí é uma jogada quase desonesta. Triste.

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