Como e porque aderi às Fulls Suspensions

Se tem um defeito que não tenho é não admitir quando estou errado.

Passei alguns anos, como frequentador do Pedal.com, lendo posts de usuários veteranos que haviam largado suas HTs (traidores!) e passado para full suspensions, dizendo: “bike é full”.

Eu, que na época estava encantado em ter uma bike sub 11 (menos de 11 kg), pensando em partir para uma sub 10, ficava me perguntando como alguém, em sã consciência, podia partir de uma bike com 10,7 kg para outra com 13,5, por causa de uma suspensãozinha traseira. Que, diziam os físicos, estando destravada levaria 25% da sua energia ao pedalar. Nossa Senhora! Quero isso para mim não.

Paulatinamente, muitos companheiros de pedal passaram a fazer a mudança. Cada dia via mais gente pedalando de full e dizendo que era a oitava maravilha do mundo… e eu, teimoso, pensava: “estão querendo justificar o dinheiro gasto”.

Meu oftalmologista, que também pedala, foi o primeiro a me falar sobre a full – Uma Kona da sua esposa. Segundo ele, “não tinha comparação”.

Meu reintrodutor no mundo das mountain bikes, o bro Ricardo Arrais, com sua KHS XC 104, vivia dizendo – não exatamente com essas palavras – que não sentaria numa HT nem por todo o dinheiro do mundo.

Carito, companheiro-irmão de pedal, com sua Stumpjumper, dizia, modestamente, que “era ótimo, fazia muita diferença”. “Maravilhoso” talvez tivesse sido o mais correto.

E eu, teimoso, achando que era besteira.

Num belo dia de sol (muito sol, por sinal), resolvi participar de uma prova que não é definitivamente a minha praia (faço, como os leitores mais assíduos sabem , enduro de regularidade): uma (mini) maratona de 50 km, a InMare MTB Cup.

Não estava no melhor da minha forma, mas a luz amarela se acendeu aos 20 km. Comecei a sentir umas câimbras estranhas (nunca, em toda a minha vida, tinha sentido câimbras praticando qualquer esporte). A dor na bunda beirava o insuportável. E a prova nem era essa dificuldade toda: até então, a distância era curta, o ritmo, normal, e a estrada sem essa areia absurda que às vezes encontramos por aqui (além do que, o percurso era um trecho conhecidíssimo, que já tinha feito inúmeras vezes).

Ao meu lado, o amigo Ricardão, na sua Merida full, ia, notadamente, com muito mais tranquilidade do que eu. A pergunta foi inevitável, e a resposta contundente: de full a bunda só começa a doer depois de 100 km. Comecei a acreditar.

O resto da prova foi uma tragédia, que está contada em algum post por aí. Mas, se você não quiser perder tempo procurando, eu resumo: terminei só vivo.

A partir daí, cada vez que pegava a minha sub 11 (10,7 kg, para ser exato), uma idéia fixa vinha à minha cabeça: full, full, full.

No último Rally, um trecho com costelas e pedras, no fim da prova, me fez verbalizar com meu parceiro: “preciso de uma full”.

Contas feitas, fechei o negócio: fui de Specialized Camber Comp, devidamente tunada para ficar com os 12,3 kg finais. Um quilo e meio a mais que carrego com extrema satisfação.

SPZ Camber Comp

Mas não quis escrever esse post antes de bater o martelo. Fiz três trilhas com ela, duas devidamente postadas no blog.

O veredito é: simplesmente sensacional. Queimei minha língua para cada vez que disse que uma suspensão traseira não seria necessária. Não dá para descrever, só andando… mas, para um jovem de 48 anos como eu, que não faz provas de velocidade (só enduros de regularidade e um AM de leve), a full com certeza é a bike indicada.

O pedal fica MUITO mais confortável, e terminei incrivelmente mais inteiro todas as trilhas que fiz. A dor na bunda desapareceu por completo (bom, a calça Flets, também sensacional, ajuda muito nesse ponto), a dor na lombar não existe, e o rendimento é multiplicado sei lá por quanto. No downhill, o prazer é não frear, procurar o pior caminho, dar saltos e sentir a bike segura, no chão.

Por último, reproduzo aqui uma conversa no Facebook com o Marquinhos, da Karranka Bikes, que tem autoridade para falar no assunto. A questão era: full ou HT?

Marquinhos: Em relação a full ou hardtail , vivo este dilema já tem tempo e posso dizer que se você pedala por prazer, passeio, viagens ou trilhas com os amigos, sua bike é uma full! Competição, digo que depende da prova. Ando de full (Kona Hei-Hei Supreme) e agora optei também por uma Kula Watt Carbon 2012, pelo fato de que a maior prova que participo tem 30km de mtb, logo uma bike mais leve e mais rígida tem uma performance melhor, principalmente em subidas, fato já comprovado em treinos recentemente! Provas muito longas, sem muita serra, full ! Agora, o perfeito é ter as duas e poder optar!!!! rsrsrs…


Kona Hei hei Supreme

Kula Watt Carbon

Eu: Em relação às full (embora naturalmente não se compare a uma ht) trava remota no garfo e no shock certamente devem ajudar nas subidas, né? É só um palpite, pois nunca andei de full.

Marquinhos: Tais recursos ajudam, mas nunca será como uma hard-tail! A minha bike não precisa de trava no shock traz pois o sistema Propedal se encarrega disso! Agora vale dizer também que a full ATROPELA as hardtails nas descidas, chegando a corrigir erros do piloto, com curvas mais precisas e “lendo” o relevo de forma impressionante!!!! Acredito que o futuro são bikes full cada vez mais leves e rígidas!

Há tempos fiz um post chamado “Devo comprar uma full“? A conclusão final (boas fulls são caras e indicadas para quem pedala horas por terrenos acidentados) ainda vale. Mas quero acrescentar: se você se identifica com o que escrevi nesse post, faça um esforço e compre a sua. Vale cada centavo.

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Publicado em 03/10/2011, em O que eu acho e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 8 Comentários.

  1. Filipe Cunha

    Legal… bem vindo ao mundo full…

    • Nem fale, Filipe! Bem-vindo mesmo! Se bem que já estou com a Camber a mais de 8 meses, então já deu para viciar!

      • Cristiano Arndt

        Colega, vou para os EUA esse ano que quero trazer uma. Estava vendo a Camber de 29″ de alumínio, que está na faixa de 1700 dólares. O curso da suspensão dela é adequado para o conforto ou existem modelos na faixa de preço dela com mais curso de suspensão, o que imagino que daria mais conforto para minhas costas? Você sente o Bob com ela quando pedala forte? Obrigado.

  2. Olá!
    Bem, os 40 anos estão chegando e a coluna (e a bunda) não é mais a mesma.
    Minha próxima bike será full, já está decidido.
    Universo novo, novas dúvidas, e o dalac é o meu porto seguro….
    Atualmente ando de hardtail (Specialized Rockhopper Comp 29, modelo 2013), comprada em Agosto de 2012 nos States.
    Ando muito em trilhas, menos em estradão de terra e, no asfalto, só com a bike em cima do carro!
    Depois de pesquisar muito, optei pela Specialized Stumpjumper FSR.
    Vou de 29 novamente. Preferência pessoal. Tenho uma bike 26 que não consigo andar mais depois que iniciei na 29….acabei doando pro meu filho.
    Estou em dúvida entre dois modelos:

    Stumpjumper FSR Comp 29 (versão de entrada)
    http://www.specialized.com/us/en/bikes/mountain/sjfsr/stumpjumperfsrcomp29

    Stumpjumper FSR Elite 29
    http://www.specialized.com/us/en/bikes/mountain/sjfsr/stumpjumperfsrelite29

    Minha dúvida é a seguinte.
    A Elite custa U$1100,00 a mais.
    Vem com Brain na suspensão traseira, Banco com ajuste hidráulico (Comand Post) e um pacote melhor de componentes.
    Minha dúvida é a seguinte? Será que vale a pena, principalmente o Brain?
    O Comand Post sei que vou usar em descidas mais técnicas, mas parece que aumenta cerca de meio quilo no peso da bike (ela pesa por volta de 12kg).
    Será que a dupla Brain + Comand Post são acessórios realmente muito úteis?
    Também já ouvi falar que para manutenção do Brain vc fica muito dependente da autorizada da Specialized…
    Socorro!…rsrsrs

    Obrigado!
    Arany Tunes

    • Arany, claro que vale. E a questão Brain/manutenção… Ora, em primeiro lugar esse tipo de componente não da TANTA manutenção assim. Depois, um bom mecânico pode, também, resolver. Por ultimo, não é bom saber que, em ultimo caso, você terá Assistência Técnica da marca e peças de reposição disponíveis (se é caro é outra coisa, mas também você não está comprando uma bike básica)? Fosse eu, nem piscava.
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      Abração!

  3. Valeu! Muito obrigado!!!!

  4. Olá!
    Bike comprada!!! Fui de Stumpjumper FSR Comp 29. Foi um excelente custo x benefício.
    Comecei a pedalar e, além do conforto, fiquei impressionado como a bike “gruda” no chão…..simplesmente te leva a outro nível!
    Obrigado pelas dicas!
    Arany Tunes

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