A transmissão hidráulica (para bikes)

Já aconteceu de você sentir seu câmbio duro, passando mal as marchas, completamente desregulado durante uma trilha com muita lama ou areia, ainda que a bike tenha recém-saído de uma revisão?

Isso é mais comum do que você imagina, e pode ser causado pela entrada de sujeira (lama ou areia) nos conduítes que revestem os cabos de mudança.


A qualidade dos conduítes – existem os teflonados da SRAM ou Shimano – e dos terminais dos mesmos (as tampinhas metálicas são mais suscetíveis à entrada de impurezas, enquanto as de plástico são mais herméticas) conta muito, mas mesmo os melhores produtos exigem uma limpeza de vez em quando (e a troca dos cabos também).

Essa manutenção deve ser feita pelo menos a cada seis meses (troca de cabos, limpeza ou troca dos conduítes), e não custa caro.

Mas uma empresa alemã, a Acros, com sede em Renningen (próximo a Stuttgart) promete acabar com o sistema baseado em cabos, introduzido em 1938 pela extinta Simplex, e usado até hoje em todos os sistemas de câmbios para bikes.

O sistema Acros

O novo sistema de mudanças baseia-se na tecnologia de fluidos hidráulicos para permitir mudanças incrivelmente precisas e virtualmente livres de manutenção,sendo, de quebra, mais leve que o sistema baseado em cabos.

Câmbio traseiro

Ele consiste em um sistema fechado, com trocadores e câmbios dianteiro e traseiro operando em um sistema fechado com óleo mineral (assim como os freios hidráulicos Shimano), pesando cerca de 427g.

Câmbio dianteiro

Sistema de funcionamento dos trocadores

O sistema de mudanças no estilo rapid-fire não me parece ser tão intuitivo para as mudanças , embora seja apresentado como Intuitive Shifting. Pelo que entendi, pressionando a alavanca para a frente pode-se trocar as marchas para cima e para baixo. O que muda o sentido da mudança é uma torção para baixo no trocador. Então, se você está trocando as marchas para cima e quiser trocar para baixo a partir daí terá que realizar dois movimentos, um para girar o botão para baixo e então empurrá-lo para a frente. A SRAM já testou algo similar para a sua linha XX, mas o sistema não funcionou bem por razões mecânicas (o que não é o caso deste sistema, que é hidráulico), e foi abandonado. De qualquer forma, sem testar, fica difícil dizer se funciona bem ou mal.

Esta característica (de poder alterar o sentido do fluxo do fluido hidráulico, podendo assim alterar o sentido como as marchas são passadas) permite que o câmbio possa ser usado como Normal (Top Normal) ou Invertido (Low Normal) – para saber mais sobre câmbios traseiros CLIQUE AQUI e AQUI.

O sistema da Acros promete eliminar todos os problemas de trocas de marchas em terrenos muito lamacentos ou em áreas de temperaturas muito baixas (que faz a água dentro dos conduítes congelar e compromete a eficiência do sistema de mudanças por cabos).

O sistema é adaptável a qualquer cassete e pedivelas existentes atualmente, por meio de uma peça chamada Raster rod.

Os pesos são os seguintes:

Trocadores (cada): 64.85g
Câmbio traseiro: 159.84g
Câmbio dianteiro: 79.15g
Mangueira (Tras): 24.26g
Mangueira (Diant): 17.16g
Fluido (Traseiro): 9.00g
Fluido (Dianteiro): 7.25g

Sabe o que é mais interessante? Não é um protótipo. Não é uma possibilidade. Existe, e está à venda por coisa de US$2300,00. Podemos até achar caro, e é, considerando uma bike intermediária, ou até uma sub-top, de até, digamos, 8.000 reais. Mas esse valor se dilui quando falamos das tops mesmo, de 25K para cima. Se o sistema for o que promete, com certeza vale o investimento.

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Publicado em 24/08/2011, em Reviews e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Comentários desativados em A transmissão hidráulica (para bikes).

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