Petrobikers Extreme Trails

Ao transitar por Natal e vizinhanças é extremamente comum cruzarmos com cilcistas. Sem nenhum preconceito ou discriminação, não estou me referindo a commuters, pessoas que usam a bike por necessidade, consciência ecológica ou simplesmente como meio de transporte alternativo, mas atletas, ciclistas que, participando ou não de competições, treinam com o objetivo de melhorar sua performance, sua resistência, sua técnica.

Continuando a divulgação de competições e afins, destaco o grupo dos Petrobikers, que organiza o Petrobikers Extreme Trails, cuja próxima edição ocorrerá nos dias 6 e 7 de agosto – uma viagem por trilhas com percurso de Natal – Bananeiras(PB) – Natal, com 270 km de trilhas e 60 km de asfalto, percurso que será feito em dois dias com pernoite em Bananeiras.



Decidindo afastar-se das competições tradicionais por avaliarem que estas não preenchiam os objetivos pessoais dos integrantes, o grupo procura fazer viagens e pedaladas mais radicais, onde a competitividade existe, mas o clima de equipe prevalece. É quase uma competição entre amigos, mas a pedalada sempre é por trilhas extremamente exigentes, tanto do ponto de vistas do condicionamento físico como da técnica de mountain bike.

A escolha é sempre por trilhas técnicas e remotas, muitas delas não mapeadas no GPS, o que faz da pedalada uma aventura e tanto. Obviamente, apenas bikers com preparo físico em dia estão aptos a fazer o percurso, e por isso, a primeira condição para participar desses eventos é completar o “cinturão grande*”, percurso tradicional dos bikers de Natal, com 77,5km de extensão, num tempo limite de 2 horas e 50 minutos. A tomada de tempo acontece de vez em quando, em geral em data próxima ao passeio seguinte. A média é de mais de 25Km/h, e se você não consegue manter essa AVS por quase 3 horas, desista: você não está apto a fazer uma “Extreme Trail”.

Por outro lado, não basta completar o Cinturão Grande em menos de 3 horas e achar que vai estar lá e largar junto com os Petrobikers: por questão de logística, o grupo é de no máximo de 12 ciclistas, e você só vai se for convidado.

O grupo eventualmente conta com a excelente estrutura do Cirne HomeTruck, uma carreta com alojamento climatizado para 12 bikers (e, logicamente, suas bicicletas), e que espera o grupo em pontos estratégicos do percurso, com direito a banho quente, açaí e macarronada com churrasco, além de uma ótima noite de sono de recuperação no ar-condicionado, para repor as energias para as etapas seguintes.



Nos dias 09 e 10 de abril de 2011 ocorreu a Extreme Trails – Sitio Novo a São Rafael, com 187 km de trilhas duríssimas, como mostra a altimetria do percurso.



A equipe que participou foi composta dos bikers Elmo Raceado – KHS (8,9 kg); Max Gadelha – Cannondale Scalpel (9,2 kg); Harry Beuter – Cannondale Scalpel (9,5 kg); Humberto Cadete – KHS (10,1 kg); Daniel – Cannondale F4 (10,1 kg); Kerginaldo Fraifer – Trek 8900 (10,5 kg); Luiz Felipe – Scott Spark (10,5 kg); Marquinhos – Kona Kula (10,7 kg); Kleber – Cannondale Flash (10,7 kg); Henrique Cirne – Giant Trance (12,2 kg); Ricardo – Merida 96º (12,6 kg) e Olegario – Trek 6500 (12,6 kg).

No planejamento, a viagem foi dividida em dois dias, com um primeiro dia de grande dificuldade para os bikers, que tiveram de vencer muitas escaladas de serras, totalizando 2.460 m de subidas acumuladas e 8 picos de serras com 107 km de percurso. No segundo dia aconteceu o downhill fantástico nas Fervedeiras e 80 km de trilhas técnicas com a beleza impar das serras Branca e do Pindoba e do banho de rio do pé de oiticica na terra natal do Felipe.

No primeiro dia todo o grupo andou muito forte nas subidas e nas descidas das serras, o que resultou em um tombo considerável do Elmo, que empenou a gancheira. Sabemos que descer forte com uma bike hardtail é bem mais difícil que descer em uma bike full suspension, que tem muita estabilidade e grip. O Max relata que não sentiu nenhum problema nas descidas bastante rápidas que fez com a sua Cannondale Scalpel. Inclusive vale registrar que todos os tombos que ocorreram com os bikers nesta pedalada foram com bikes rígidas (hardtails), não tendo acontecido nenhuma queda com as full suspensions, o que, para alguns integrantes, atestou a superioridade das fulls sobre as HTs.



Em Lages Pintadas foi feito o reabastecimento para inicar a difícil subida da Serra Verde, com 12km de escalada com 3% de inclinação média e 15% de inclinação máxima. Apesar de usarem pneus tubeless com selante os furos de pneus são inevitáveis, obrigando o grupo a paradas para reparos. Na descida da serra – é, se subiu tem que descer, já dizia Raul Seixas – o downhill mostrou que não é mais fácil que a escalada, causando duas baixas no grupo: Kleber e Marquinhos levaram tombos tão fortes que tiveram as rodas traseiras arrancadas. Após reparos emergenciais o grupo seguiu em frente. Ou, melhor dizendo, ladeira abaixo.

No meio da tarde do primeiro dia foi reiniciada a pedalada para escalar a serra que conta com o singelo nome de Serra do Desespero. Com 5,6 km de extensão, constituída de dois picos com muitas pedras, erosão e mata fechada, os bikers foram surpreendidos por um morador local que, incrédulo, indagou se os ciclistas se aventurariam por tal caminho, pois era considerado “caminho difícil até para os animais, quanto mais para bicicletas”. O grupo não se atemorizou e iniciou a aventura. Após sofridas duas horas (das quais uma hora e quinze empurrando a bike e quarenta e cinco minutos de pedal truncado) o grupo alcançou o primeiro platô, realizado pelo feito, mas preocupado com uma noite sem abrigo, com o constante perigo da hipotermia. O grupo continuou, já à noite, enfrentando mais duas subidas que culminaram com uma terceira subida gigante (inclinação de 15%), totalizando 16 km de subidas. Finalmente os bikers chegaram ao alto da serrra, a 655 metros de altitude, próximos à exaustão. A hospitalidade de moradores locais, fornecendo café e até roupas secas permitiu aos bikers a pedalada final até o sonhado HomeTruck, que os esperava com as regalias já descritas, onde chegaram às 21:30.



O segundo dia de pedal começou às 7h30 com um downhill gigante e muito inclinado, com erosão e pedras na Fervedeira. Segundo os bikers, esse nome deve ser porque a adrenalina ferve o sangue em uma descida extremamente técnica com uma inclinação média de 13% e máxima de 15%. Isso é literalmente um paredão com desnível de 400 metros. O Marquinhos, que é especialista em downhill declarou: “em todas as descidas que já fiz, nunca tinha sentido o cheiro de pastilhas queimadas do freio a disco como senti na Fervedeira”.



O pedal seguiu forte até Santana do Matos. A partir daí surgiram trilhas bastantes técnicas, com subidas e descidas e um singletrack de quase 10 km com muitos rios, erosão e o bonito visual das Serras Brancas e do Pindoba, o que causou espanto ao Felipe, local de São Rafael, que não esperava tal geografia numa região que ele pensava ser plana.



A 10 km do destino final, os bikers foram brindados com o irresistível convite do prefeito local para se juntarem a um churrasco que acontecia sob um pé de oiticica, o que recarregou as energias de todos, transformando os últimos quilômetros em um sprint até o HomeTruck que os esperava em São Rafael.

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* O Cinturão Grande tem a seguinte configuração: Posto Texaco/Cidade Verde/Cajupiranga/Nísia Floresta/Praia de Tabatinga/Posto Texaco.

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Publicado em 09/07/2011, em Trilhas e marcado como , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Comentários desativados em Petrobikers Extreme Trails.

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