Sobre ups, selins e peso da bike

No pedal.com.br, o fórum onde procuramos auxiliar (e ser auxiliados também) quem quer comprar uma bike ou tem alguma dúvida ou problema técnico, acontece do papo seguir por emails, fora do ambiente do fórum.
Nesse post descrevo uma parte de uma conversa com o novo colega ciclista Daniel.

Adoro conversar com quem está começando, ou se aprimorando, porque a visão do esporte, dos gastos, das dificuldades, é diferente da nossa. Isso abre meus horizontes.

No meio do papo, ele perguntou em que valor estava a minha bike (que não é top, nem full suspension – no máximo é um HT intermediária abusada).

Ele se espantou, e como pretende comprar a ótima Soul SL200, argumentou:

Decidi comprar essa bike cara de 1600,00 que é a Soul SL200, mais por que meu vendedor consegue me vender em 6x sem juros e com ele mesmo, sem cartão e também porque to cansado de fazer up, tipo, não queria comprar uma Supra pra depois mudar a suspa e por ai vai..

Daí resolvi contar a ele a história dos ups que culminaram com a Lady Gaga.

A história dos ups

Daniel, pra chegar na bike que tenho hoje, foi um loooongo caminho. E eu gosto de desmontar, montar, regular…

Quando voltei a pedalar, em 2007, tinha um Diamond Back Topanga 91, de geometria antiga, garfo rígido. Era uma MTB, mas parecia uma road bike. Então troquei o quadro, comprei um GTSM1, que apesar de falarem mal por ser uma cópia do GTS americano me serviu bem, pra dar um gás. Esse quadro foi 230,00. Achei o preço ótimo, e o quadro melhor ainda. Na verdade, na época achei lindíssimo. Coloquei uma suspensão STR de 150 reais (não existe nem o site dessa marca, rs) e fui pra luta.

Comecei a fazer umas trilhas mais pesadas, e como a relação era a da DB, a precisão era pouca, e de 21V (era o máximo em 1991, rs) – o que pra mim, e para o que eu faço ficou realmente deixando a desejar.

Então parti para um up para Alivio 24. Excelente escolha, nunca me deixou na mão.

Daí comecei a correr enduro de regularidade. Troquei o quadro, depois de um (ou melhor, vários) bike fits, e comprei um Da Bomb Tora Bora XC 19″, extremamento confortável, bonito e robusto, e coloquei uma suspensão RST Gila, que já trabalhava bem melhor.


Paris Hilton (a vermelha), Da Bomb TBXC com grupo LX e RS Tora


Começamos o Rally (é em duplas) muito mal, minha bike abriu a corrente nas duas primeiras provas, porque eu não sabia como fechar a corrente direito (hoje eu sei – tem até post sobre isso aqui no blog). Mas vi que tínhamos potencial, dava pra chegar, digamos, nos top 10.

Aí, rapaz, precisei realmente melhorar o conjunto, e fiz um up pra LX. Aproveitei que um amigo que mora nos EUA vinha pro Brasil, comprei uma Rock Shox Tora no Ebay (saiu por R$ 300,00, aqui é mais de R$1000,00), comprei pedal de encaixe e sapatilha… gastei uma grana, mas aos poucos. Essa é a vantagem de ir fazendo ups (eu acho) – quem não tem muita grana disponível, vai gastando aos pouquinhos. E o que eu tirava da bike ia vendendo a um amigo (hoje ele tem a Paris Hilton – que é o nome da Da Bomb, mas isso é outra história) por um preço justo, e o prejuízo se diluía.


Lady Gaga, pronta para a guerra, para quem não conhece.


Acho que o dinheiro foi muito bem gasto, porque ficamos em 5º lugar geral no Bike Rally (o enduro do qual participo), entre 48 competidores. Não gasto dinheiro com outra coisa… então acho que vale a pena.

Mas, a essa altura, o upvírus (conhece?) já tinha me contagiado. Troquei o quadro por um Giant XTC Team comprei uma suspensão R7, fiz um up da relação pra XT, comprei um ciclocomputador Planet Bikes, que dá velocidade média, distância e tempo de pedal na mesma tela (essencial para enduros de regularidade), manoplas Ergon, Guidon FSA, canote e mesa KCNC… e por aí foi, e chegou onde chegou. Mas não foi de uma vez. Mais uma vez parece que valeu a pena… na primeira etapa do Bike Rally desse ano, adivinha? Chegamos em primeiro :-).

Comprar um selim pela internet:

…mas comprar selim você tem q tocar, sentir a maciez =D

No último pedal, depois de míseros 23 km minha bunda tava um caco. Aí resolvi comprar outro selim. O problema é que selim é complicado mesmo, e Natal não é exatamente um grande centro. Me concentrei em marcas renomadas, pois o que uso é um SDG de 295g, que não é de jeito nenhum um selim básico. Experimentei uns Fizik, mas não gostei. Então resolvi arriscar um Selle Italia, que pelos reviews que li na net era mais ou menos o que eu queria. É ilusão achar que selim vai ser confortável… ele tem é de não ser MUITO desconfortável 🙂 Recebi hoje, não testei, mas gostei do que vi; já tenho uma certa experiência, e dá pra notar que é um produto diferenciado. O formato, pelo menos, é bem diferente tanto do SDG como dos Fizik. Vamos ver; se não me adaptar, passo adiante.

A redução de peso na bike

Argumentando que precisava de uma bike um pouco mais leve, porque às vezes precisamos empurrar, ele contestou (em parte):

Acho legal subir com a bike tal morro, meio q vencer ele, esse negócio de pegar a bike e carregar ela meio q pra mim destrói o propósito da bike =P… mas realmente ajuda muito, pois fiz uma trilha aqui na minha cidade q tinha q subir encostas e vários morros, e carreguei minha bike nas costas, acho que ela tem por volta dos 13-14kg.

Minha resposta:

Em relação a carregar a bike… é, você em parte tem razão: se for pra carregar a bike perde o sentido. Melhor ir a pé (sem a bike). Mas faço umas trilhas médias (não sou ultramaratonista, o negócio é no máximo 60km), e aqui tem MUITA areia e serra, e na serra tem MUITA subida… não é serra com estradão não, é quase uma escalada.

Tipo assim... olha o carro lá embaixo (clique para ampliar)! 2x10? Pra mim, nem pensar.


Se fosse só estradão dava pra fazer até numa Caloi Snake, mas não é o caso. Aí, meu irmão, não é porque eu já tou chegando nos 50 não, é porque ninguém consegue mesmo :-D!

Falando das areias, dá uma olhada aí e vê se tem condições de alguém pedalar 500m num areal absurdo desses:

Então, como tem dessas nas provas (e mesmo nos passeios sem compromisso), o jeito é empurrar. A lógica é que quanto menos peso melhor, né?

Sobre os preços de bikes e componentes no Brasil

Em relação aos preços no Brasil (nem sempre o problema é a loja – é quase tudo importado, e os impostos são altíssimos), já faz tempo que mando buscar coisa no exterior. Como eu disse em um post sobre manoplas Ergon:

Pequenas coisas (ciclocomputadores, piscas, câmaras de ar e até pneus de kevlar – dobráveis) cujo valor (ou soma de valores) não ultrapasse os U$50,00 acabam sendo muito vantajosas de importar, se você não está com urgência em receber. O problema é a limitação de valor e a garantia, complicada de fazer valer.

Mas tem uma loja em Ponta Grossa, a Bike Adventure PG, que tem uns preços legais; às vezes vale mais a pena, porque não tem perigo de ser taxado (se for, em geral não compensa, porque o imposto de importação é muito alto) e chega rápido. Grupo, por exemplo, prefiro comprar lá. Mas pneu de kevlar, câmara de ar, pisca, ciclocomputador, prefiro compra na JensonUSA e esperar 45 dias pra chegar :-). O selim, por exemplo, cotei lá fora e aqui, se fosse taxado ia ficar uma coisa pela outra, então preferi comprar em SP mesmo.


Sobre comprar uma bike de entrada de mais de 1000 reais e achar que é a bike definitivaAcho que você está comprando uma excelente bike de entrada (Soul SL200). Dependendo do tipo do pedal que você vai fazer, vai render um tempão. Além do mais, a gente tem que comprar o que a gente acha que cabe no nosso orçamento. Não há sentido em ficar todo endividado pra ter bike A ou bike B, eu acho. Mas não se iluda: com o tempo você vai querer fazer ups, sim. Ou vai deixar de pedalar!

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Publicado em 26/05/2011, em O que eu acho. Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Já virei fã desse site, estou voltando a ativa depois de 15 anos e louco, simplesmente maluco pra fazer enduros de regularidade.
    Acabo de comprar um ciclocomputador Planet Bikes modelo novo Wireless graças a sua dica dessa materia, pego minha bike amanhã, gastei uma boa grana nela logo de cara, acho que fico um tempinho sem ups. Obrigado pelas dicas e continue assim.

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