Devo comprar uma full?

Esse é um artigo de opinião. Retrata a minha opinião particular sobre o uso de bicicletas full suspension como alternativa às hard tails.

Para quem não sabe, as hard tails (em português, rabo duro) são mountain bikes que não possuem suspensão traseira.

Veja também: Conhecendo sua Bike – Full Suspensions

Estas bikes, às vezes possuem suspensão dianteira.

As full, como chamamos, são bikes com suspensão integral – na frente (no garfo) e atrás (na balança).

Numa mountain bike full suspension, portanto, o quadro é, digamos assim, dividido em dois: o triângulo dianteiro e a balança traseira.

Os amortecedores também tem nomes diferentes – o dianteiro seria um garfo com suspensão, ou suspensão dianteira (existente tanto nas full como na maioria das hard tails). O amortecedor traseiro é chamado de shock.

Da mesma forma como os amortecedores dianteiros, dissecados nesse post, os amortecedores traseiros utilizam diversas tecnologias, desde os mais simples ao mais sofisticados.

Shock simples de mola

O excelente Fox Float

O Specialized Brain (desenvolvido pela Fox que equipa bikes Specialized) é um shock “inteligente” que, com o uso de uma válvula inercial, promete funcioamento variável dependendo do peso do ciclista, estilo de pedalada e tipo de terreno.

Bikes full suspension precisam ser caras. Isso porque a suspensão traseira, numa bicicleta, implica num projeto extremamente mais elaborado, sem o qual, logo de saída, dois problemas surgirão: o bob e uma bike muito pesada.

O bob é um movimento de mola que o selim faz para cima e para baixo, em função da pedalada, ao invés do desejável movimento de subida e descida da roda traseira ao passar por obstáculos. Esse movimento tira parte da energia da pedalada. Bikes baratas (menos de 2.000,00) não costumam ser boas full suspensions. Se seu orçamento é limitado a isso (ou menos) sugiro que compre uma boa hardtail.

Bikes como a Caloi Sk possuem um sistema de suspensão traseiro sofrível, com apenas 50mm de curso e um shock de péssima qualidade. Aliados ao resto dos componentes de terceira categoria que a bike apresenta e um quadro muito pesado, qualquer review mais honesto sugere o seu uso a um pedal urbano moderado ou a trilhas de baixíssima dificuldade, principalmente estradões. Na verdade, a sua suspensão traseira tem função meramente cosmética. Ou pior, pois o bob é tanto que lhe cansará em menos tempo do que se estiver numa HT.

Caloi SK – exemplo de full cosmética.

A seguir, alguns quadros fulls de alto preço mas de excelente acabamento e rendimento:

Para não dizerem que tenho algo contra a marca, a Neo já é uma full mais decente. Apesar dos Vbrakes, incompatíveis com uma trilha mais pesada, de ser uma bike com peso elevado e de haver sérias reclamações contra acabamento na balança e pivots, se você quer de todo o jeito uma full e o orçamento é limitado, essa pode ser uma escolha mais sensata, guardadas as limitações. Eu diria que já dá para uma trilha média, não competitiva. Com alguns ups pode se tornar uma boa bike.

Bikes full suspension são em geral mais pesadas que as hardtails, por causa do sistema de balança traseira, além de dar mais manutenção nos pivots e no shock traseiro. No entanto, para quem pedalas longas distâncias ou faz provas de maratona (ou tem problemas de coluna, por exemplo), as full proporcionam muito mais conforto.

Scott Spark RC

Giant Anthem

Specialized Stumpjumper

Se você é bom observador, já notou uma diferença, não é? O shock da SPZ e da Scott é posicionado na horizontal, e o da Giant é posicionado na vertical. Isso é devido o sistema de balança escolhido por cada uma das fábricas; A Scott usa o sistema SLS Kinematics, a Giant usa o Maestro e a Specialized usa o FSR. Todos são sistemas excelentes, com seus prós (muitos) e contras (poucos).

Nos desenhos abaixo você pode observar os pontos de conexão da balança com o quadro e as principais diferenças nos sistemas:

Sistema Four-Bar Linkage

A seguir colocamos vídeos do sistema FSR e do Maestro para você tentar avaliar as diferenças e vantagens.

Sistema FSR

De novo, ressalto: full suspension são caras. Em geral, muito caras. O investimento pode valer a pena se você pedala por muitas horas ou por terrenos mais acidentados. Ciclistas que preferem o all mountain sobre o XC devem pensar nesse investimento. Da mesma forma, se você tem pretensão em correr uma ultramaratona, a full pode ser uma boa escolha.

Mas, como sempre digo aqui: os carnês tem de estar em dia. Se a grana tá curta, invista seu rico dinheirinho na melhor HT que seu dinheiro possa comprar e seja feliz.

Uma boa HT, com um grupo de alto rendimento, como o SLX ou XT, bons freios a discos hidráulicos e uma boa suspensão a ar pode ser bem mais leve que uma full que custe o dobro do preço (o que faz diferença, pois em MTB muitas vezes temos de empurrar ou mesmo carregar a bike por longos períodos – e quanto mais leve melhor).

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Publicado em 03/04/2011, em O que eu acho. Adicione o link aos favoritos. 14 Comentários.

  1. cara…axei por acaso seu blog, gostei tanto q vou pegar pra ler todo…kkk, parabens pelo blog e jah add aos meus favoritos! grd abs [Comentário transferido do Blogspot – Postado em 08/11/2011]

  2. Da Lama ao Caos

    Valeu, Junior! Divulgue aí com seus amigos, por favor! [Comentário transferido do Blogspot – Postado em 08/11/2011]

  3. Excelente artigo. Para cicloturismo, por ora, fico com a minha Estradeira (HT). Agora, seria interessante ter uma FS para deslocamento urbano, você não acha? Abraços.[Comentário transferido do Blogspot – Postado em 13/10/2011]

  4. Da Lama ao Caos

    Waldson, valeu o elogio! Mas, em relação à sua pergunta… bem, se você mora em Natal, até uma full é pouco, porque, cara, a cidade está um buraco só. É pior pedalar aqui que em muita trilha que faço. Bem, acabada a crítica social do dia, eu acho justamente o contrário. Se seu ciclotur inclui trilhas e longas distâncias a full vai lhe dar mais conforto e lhe deixar mais inteiro depois dos 100km. Da mesma forma, se a cidade onde você pedala tiver uma pavimentação decente e (algumas) ciclovias, uma HT dá conta do recado (às vezes até com garfo rígido). Por sinal, acabei de ver seu blog. Sensacional! Já está nos favoritos! Parabéns, meu amigo! [Comentário transferido do Blogspot – Postado em 13/10/2011]

  5. Caros, estou negociando uma Specialized FSR XC Expert 2010. Ela possui o sistema Four Bar Linkage. A bike esta zebrada. Eu sou iniciante, mas estou a fim de iniciar com uma full para poupar minha coluna. Me ajudem. Eu fico preocupado quanto a este sistema de suspensão traseira. Fico no aguardo de informações e dicas.

    • Fala, Oswaldo! Você vai começar bem, por onde muitos mountain bikers não tão preocupados com performance almejam chegar. A full vai lhe dar realmente muito conforto, mais segurança em descidas técnicas e poupar sua coluna. Sábia decisão!
      Em relação à SPZ FSR XC Expert 2010, não há nada desabonador a ela – muito pelo contrário. É considerada uma ótima bike, que sobe e desce bem – consideradas as limitações naturais do modelo, que não é top. O atual sistema FSR, que foi modificado em relação ao sistema usado na suspensão traseira da FSR XC Expert, com o shock atualmente mais horizontal, continua sendo um sistema de quatro pivôs; não há nada propriamente errado com o sistema 4-bar Link.
      Mas, como você é iniciante, a sua maior preocupação deve ser o estado da bike. Não sei o que você quer dizer com “Bike zebrada”, mas tenha em mente que, ao comprar uma bike usada, você deve levá-la para um mecânico de confiança. É importante desmontá-la (inclusive o garfo e o shock) para verificar possíveis vazamentos e ver o estado dos links da balança traseira, cujos rolamentos podem estar em mau estado (isso só vai aparecer no meio de uma trilha, seja com ruídos ou mesmo com o travamento da balança – mas ao desmontar um mecânico pode identificar se a bike tem problemas).
      Outros pontos, mais fáceis de verificar, são o estado da transmissão (corrente e engrenagens), câmbios, trocadores, pastilhas de freio e pneus. Nem é preciso dizer que, se houver algum indício de trinca ou de solda não original, por mínimo que seja, o quadro está condenado e não deve ser comprado.
      Esse custo (uma revisão completa, basicamente) pode ser dividido com o proprietário da bike. Se a bike estiver ok, será bom para ele que a vendeu, e para você que tem a certeza de estar adquirindo um produto confiável. Se tiver algum problema, ele pode ser sanado antes de você comprar.
      Uma bike usada pode ser um grande ou um péssimo negócio, e ela estar aparentemente lindíssima não quer dizer muita coisa.

  6. Cara, seu blog é excelente. Parabéns! Aqui vai uma pergunta: atualmente, qual a melhor full 29″ em relação custo x benefício que existe no mercado? Estou “tentado” a comprar uma mais pra frente (aqui no Brasill ou lá fora – li seu post sobre compras lá fora). Difícil essa pergunta? 🙂

  7. Boa noite e parabéns pelo seu blog….está me ajudando bastante.

    Quero entrar neste mundo de MTB XC. Tenho 43 anos, 1,79m e 95 kg.

    Você comentou acima sobre a KHS XC 204 e o que você acha da KHS XC 104 abaixo que está anunciada por volta de R$ 2.100,00.

    [link editado]

    Grato

    Dorival

    • Oi Dorival!
      Os componentes são bem simples, mas ela dá para fazer trilhas leves e intermediárias sem muitas complicações, hehehe.
      Embora os amortecedores (garfo dianteiro e o shock traseiro) sejam muito básicos, o fato dela ser uma full com um bom sistema de links deverá proporcionar algum conforto.
      Como curiosidade, os componentes da XC 104 já foram bem melhores.
      Curta a nossa FanPage e fique ligado nas novidades, ok? http://www.facebook.com/pages/Da-Lama-ao-Caos/333903203299235. Abraços!

  8. Olá.
    Estou com 113Kg e a ideia de usar uma full me agradaria muito se não fosse o “medo” de acabar com o shock/quadro da bike.
    Fiquei afastado do MTB por 15 anos. Resultado… adquiri com muita dedicação 40kg (rsrs).
    Voltei a pedar com 123kg, em uma HT 29″.
    Hj estou com 113 e pedalo em trechos de muitos single tracks (recheados de raizes e pedras). Diria que pratico “trail” quase “all moutanin” rsrsrs.
    Pensei em migrar para uma full, com um shock de qualidade, porém não ultrapassar os 120mm de curso (tanto dianteira, quanto traseira). (esta dificil de achar uma relação perfeita entre shock traseiro, susp dianteira, geometria do quadro e meu bolso).
    Será q devido meu peso, posso entrar em uma roubada?
    Agradeço a consultoria! Forte abraço a todos!

    • Fala Bruno!
      Rapaz, vou repetir aqui uma resposta, que dou sobre esse assunto que é recorrente aqui nos comentários:

      “Em geral quadros para XC tem limite máximo de 100 kg de peso do ciclista.
      Assim, aconselhamos fortemente entrar em contato com o fabricante ou distribuidor no Brasil perguntando sobre o limite de peso do ciclista para determinada marca e modelo.Lembramos que a quebra de um quadro na junção do head tube com o top tube e down tube pode ter consequências gravíssimas ou fatais. Tome cuidado!”

      Por outro lado, se você quer se exercitar para perder peso (com a mesam dedicação, hehe), pedalar é uma boa, desde que respeitadas as suas limitações e com o equipamento adequado.

      É possível que uma full para AM aguente seu peso. Talvez a busca deva começar por aí. Mas fulls (que prestem) são caras e voc~e não falou qual o seu orçamento. Com grana certamente você encontrará algo que dê certo, e seu peso não será empecilho.

      Abração!

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      • Opa garoto. Adquiri uma Spz Epic Marathon. Ainda não pedalei, vou ver como consigo acertar as regulagens de acordo com meu peso.
        Forte Abraço.

        • Fala Bruno! Spz Epic Marathon? Graaaaande bike, comprou muito bem. O curso dela, 100mm, deixa ela mais com cara se XC Race que de AM, mas com certeza isso não fará a menor diferença. Você vai ter muitas alegrias com ela!
          Calcule o SAG direitinho no garfo e no shock e suas trilhas vão ser só prazer.
          Abração e parabéns!

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