Quando quebra a corrente

Esta não é uma situação muito comum no ciclismo (mesmo no MTB). Claro, na bike tudo é passível de quebrar, mas uma corrente em bom estado não quebra assim. Mas, acontecer, acontece. Então, o que fazer?

Vamos por partes: primeiro, a corrente tem que ser checada regularmente em relação ao seu desgaste.
Segundo Sheldon Brown, em 12 links da corrente (um link é a soma de um elo externo + um interno), de rebite a rebite, a distância deve ser de 12 polegadas.


Como medir a corrente
Obs: na imagem de cima apenas estão sendo medidos 5 links. Você deve medir 12!


Continuando a novela, supondo que você tenha uma corrente em bom estado na sua bike mas tenha que abri-la, saiba que NÃO HÁ LUGAR ONDE VOCÊ POSSA ABRIR E FECHAR UMA CORRENTE SHIMANO USANDO O MESMO PINO. Você tem que usar um pino especial, o Shimano Reinforced Pin.

Se a medida estiver maior que 12″, talvez você tenha de trocar a corrente. Então, se a folga for maior que 1/16″, mas menor que 1/8″ você deve substituir a corrente. Se for maior que 1/8″ você deve substituir a corrente E o cassete.
Existe uma ferramenta da Park Tools (que você pode conferir no último vídeo, no final do post) própria para medir desgaste de corrente.

Ele é maior que a corrente, e após instalado a ponta que sobra deve ser quebrada com um alicate de bico fino.


Shimano Reinforced Pin



Pinos de Ligação Shimano



Resumindo, se você abrir sua corrente e tentar fechá-la usando o mesmo pino, ela provavelmente irá quebrar nesse lugar.

Também, para você abrir ou fechar a corrente usando o tal pino, você precisa de uma ferramenta chamada Extrator de corrente ou Chave de corrente. Aconselho a comprar de uma marca boa, como Park Tools ou Crank Brothers. É cara, mas você só compra uma vez.
Há quem feche uma corrente numa emergência até usando uma pedra e o quadro da bike, mas o conserto não é garantido 😀


A própria.



No detalhe: Você gira a manivela e o pino sai. Ou entra, se você estiver fechando.



Tem gente cuidadosa, no entanto, que gosta de limpar a corrente direito. Para isso, é preciso tirá-la da bike. Como para abrir a corrente com o extrator dá um certo trabalho (maior ainda para fechar), e além disso tem de usar o tal pino falado acima, uma forma prática de abrir e fechar a corrente sempre que quiser é usando um elo de ligação tipo o PowerLink da SRAM. Ele é um elo que pode ser aberto e fechado sem nenhuma ferramenta (com as mãos), facilitando a retirada e a recolocação da corrente.


PowerLink



Agora, quem é esperto, além de ter seu PowerLink na corrente leva um extra na mochila, para a trilha. Porque, se a corrente quebrar, basta remover o elo quebrado com a chave de corrente e colocar o PL. Pronto: o conserto está feito em menos de dois minutos.

Veja abaixo o vídeo de como colocar (ou retirar) um PL.



Agora veja o trabalho que dá abrir e fechar uma corrente SEM o PL.




O PL já vem incluído numa corrente nova SRAM (o que pode tornar seu preço mais vantajoso). A corrente SRAM funciona perfeitamente em cassetes, câmbios e pedivelas Shimano. Da mesma forma, as correntes Shimano aceitam o PowerLink SRAM. A escolha é sua.

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Publicado em 20/11/2010, em Conheça sua Bike e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 9 Comentários.

  1. Power Link sempre! Depois de usar você não abandorá nunca mais. Um PL de reserva também quebra aquele galho durante o pedal, caso ocorra uma quebra de corrente. Muitos Bikers tem receio de usar PL dizendo que ele solta durante o pedal, mas isso não é verdade.

  2. Já escutei muito de mecânicos que a corrente curta quando cruzada quebrar o cambio traseiro. Entretanto nunca vi nenhuma recomendação ou observação nos manuais da shimano. O que você tem a dizer disso? Já viu algum cambio quebrar por isso?

    • Oi Leandro! Os manuais Shimano desaconselham o cruzamento de corrente por causar um desgaste prematuro na transmissão, o que pode, eventualmente, provocar a quebra da mesma. Se estiver curta, pior ainda né?
      Mas é difícil atribuir a quebra a essa situação especifica, pois o desgaste vai acontecendo com o tempo. O fato é que, se a pessoa cruza demais a corrente, o conjunto tende a durar menos, mesmo. E se a corrente for curta, o problema se acentua.
      Não há razão, na opinião da gente, para andar com uma corrente menor que o indicado, por ser um componente relativamente barato da transmissão.
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    • Nos manuais da shimano diz que o tamanho certo da corrente é passando ela pela catraca maior e maior coroa vc adiciona dois links, assim mesmo cruzando a relação (o que não deve ser feito) ainda tem uma sobra pra não estourar o cambio.

  3. Um Power Link somente serve para a corrente que o trouxe ou para as especificações de corrente que estão em sua embalagem, ou, sendo o Power Link e a corrente de mesma marca, esses outros detalhes de especificação só passam de “recomendações comerciais”?

    • Uso o PL SRAM em corrente Shimano, sem problemas. Só tem que ver se é pra 8, 9 ou 10V.

      • A pergunta é: será que realmente fará diferença?

        Essa curiosidade toda tem um motivo. Vejo no Mercado Livre alguns Power Links sendo vendidos pelo preço de uma corrente KMC Z que já trás o tal; algo entre R$ 12,00 e R$ 20,00. E talvez uma determinada “corrente barata”, que é encontrada por menos de R$ 8,00 em Parnamirim, talvez já traga o que podemos chamar de Power Link.

        Sei que o sistema de pinos de um corrente Shimano é diferente do sistema de pinos de uma corrente KMC. Talvez a SRAM tenha os pinos como a Shimano, e a KMC seja diferente delas. Se for assim, provavelmente o Power Link KMC não servirá em correntes Shimano ou SRAM. Estou “conjecturando” por que nunca vi os tais e não tenho experiência nessas coisas.

        Como eu estou usando a MTB como uma urbana sem marchas (sem os passadores, e com um esticador de corrente e a corrente no pinhão 5 do cassete de 7 velocidades), não estou colocando corrente indexada, que é mais cara. Ontem eu comprei uma não indexada KMC e vou testar já já. Espero que sente! 😉 Estou animado. Ela custou apenas R$ 9,00; só que não trouxe o elo de emenda; temos a chave de corrente.

        • A nova KMC ficou uma beleza. Apertada. O esticador dar conta de manter ela no lugar. Pude verificar que a corrente que estava não era KMC. Logo vi… tão pouco que durou! Agora vou tentar monitorar a quilometragem, mesmo sem o ciclocomputador, somente registrando as viagens, inclusive as lubrificações.

          Eu pude até ficar com um pedaço da corrente nova guardado.

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