O Câmbio Traseiro Shimano

O câmbio traseiro é uma parte muito importante da transmissão de uma mountain bike. Talvez a mais importante, pois da sua qualidade depende a precisão das mudanças de marchas nas catracas (que são os pinhões – mas chamaremos de catracas aqui por ser a terminologia popular), na verdade as mudanças que são feitas com maior frequência.

Câmbio Traseiro

Fonte: http://rideharobmx.com/rear-derailleur

Num sistema de câmbio de 9 velocidades, por exemplo, quando temos 3 coroas e 9 catracas, boa parte do percurso é feito na coroa do meio, variando-se as catracas dependendo da necessidade de maior potência ou velocidade, por vezes sutis. Em caso de mudanças íngremes de inclinação no terreno é feita a troca de coroas.

Além da linha escolhida (Deore, SLX, XT, XTR) existem duas particularidades no câmbio traseiro: se é braço longo (SGS – long cage) ou braço médio (GS – Medium cage).

Medium Cage (GS)

Long Cage (SGS)

Para saber qual o tamanho de braço ideal, basta fazer os cálculos:

Calcule a capacidade total do câmbio (total capacity). Faz-se isso calculando a diferença entre o número de dentes da coroa maior menos o da coroa menor.

Essa é a front difference. Depois faz-se o mesmo para as catracas (rear difference).

A soma dessas diferenças é a total capacity, e é dada em dentes (Teeth, em inglês, e abreviada como “t”).

Por exemplo:
Num pedivela triplo 44-32-22 combinado com cassete 11-34:
44-22 = 22t
34-11 = 23t
“Total capacity” necessária do câmbio: 45 t ou seja, longo.

Segundo manuais técnicos da Shimano, por exemplo, um câmbio XT SGS tem uma Total capacity de 45t, enquanto o GS apenas 33t. Logo, para um típico sistema de 27V o cage escolhido seria o SGS. Você pode usar um câmbio GS com mais de 33t de diferença, mas algumas combinações não vão poder ser usadas (como as maiores catracas na maior coroa, por exemplo, ou as menores na coroinha).

Outra variável seria a “ação” do câmbio – Normal (Top Normal), Shadow ou Invertido (Low Normal).

Provavelmente seu câmbio é um Top Normal (normal). É o mais comum. Se você usa um trocador de gatilho (Rapid fire), quando você pressiona o polegar da mão direita a corrente passa para as catracas maiores (para as marchas de força, digamos assim).

Trocadores Rapid Fire

“O câmbio Low Normal, ou invertido, é apelidado, em inglês, de Rapid Rise, ou seja “subida rápida” em português. O nome faz todo sentido, já que ele usa a força da mola do câmbio (e não a força do seu polegar) para subir as marchas no cassete. Muito útil para aquelas horas em que você entra em uma subida e precisa mudar rápido para uma marcha mais leve. A gente chama ele de invertido porque se você usar rapid fire com esses câmbios as alavancas de mudança para subir e descer marchas têm de ser acionadas de forma invertida” (colaboração do Nico, de Goiás, pelo Pedal.com.br). No câmbio invertido, portanto, a mola puxa a corrente para a maior catraca. Então, para mover a corrente para a catraca maior você “solta o cabo”; no câmbio normal, a mola puxa a corrente para a menor catraca, e para mover a corrente para a maior catraca tem de fazer força para puxar o cabo.No Shadow, a ação é a mesma, mas uma tecnologia nova deixou-o mais preciso.

Como o conceito de Mountain bike surgiu depois das Road bikes (bicicletas de estrada, ou Speeds), o sistema de câmbio Top Normal foi aproveitado delas, apenas com adaptações em números de dentes nas coroas e catracas. Contudo, se numa Speed o conceito Top Normal tem toda a lógica – pois você precisa de mudanças rápidas no sprint final, quando precisa trocar para as catracas menores – o mesmo não acontece numa MTB. Numa trilha você precisa mudar rápido de marchas quando vê um subidaço, ou um areião se aproximando… às vezes depois de uma curva. Nesse caso, o câmbio invertido é quem faz sentido, pois você precisa mudar rápido para as catracas maiores, pois precisa de força. Exatamente como acontece normalmente com as coroas.

Assim, minha opinião pessoal é que se você está usando trocadores de gatilho (rapid fire) a coisa funciona melhor se você usar o cambio Invertido na sua MTB que um Normal, ou mesmo Shadow.

Essa não parece ser a opinião unânime da Shimano, no entanto. Nos novos grupos de 3x10V não existe o Low Normal. Os Low Normal ainda estão disponíveis no XT e XTR de 3x9V (M770 e M970). Como sou fã incondicional do cãmbio invertido, vou dar logo um jeito de comprar meu XTR!

Detalhe: Se você usa câmbios SRAM com trocadores de gatilho você não tem escolha. Só a Shimano tem câmbios invertidos.

No vídeo postado a seguir, na parte que mostra a corrente indo para as maiores catracas (mais ou menos aos 47 segundos) – portanto, proporcionando marchas de força, úteis em subidas ou trechos de muita areia – imagine-se dando leves cliques com o indicador ao invés de apertar com força o polegar. Essa é a ação do Low Normal.

Nos anos 80, a Shimano introduziu o sistema Hyperglide, um novo projeto de pinhões que permite que a corrente se desloque através de dois pinhões adjacentes simultaneamente. Ele se conecta com o pinhão superior antes de ele sair do imediatamente inferior. Isso resulta em um deslocamento mais suave, silencioso e rápido.

Isto é conseguido por causa do desenho individual dos dentes de forma diferente sobre a mesma catraca, formando rampas nas suas laterais, o que facilita enormemente a mudança para uma marcha mais pesada.

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Publicado em 13/11/2010, em Conheça sua Bike e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Topico 100% util, comprei um cage longo xt e vai servir para mim pois uso muito coroa grande com as maiores catracas, valeu!

  2. Da Lama ao Caos

    Valeu, Ale! Mas não esqueça que o cruzamento de marchas (coroa grande com catracas grandes ou coroa pequena com catracas pequenas) não é recomendado, por desgastar prematuramente a relação.

    Para informação aos leitores, qualquer trocador Shimano para 9V servirá numa relação de 9V, inclusive o Deore citado, SE O CÂMBIO TRASEIRO FOR SHIMANO. Atentem, no entanto, que trocadores SRAM (trigger ou grip shift) não servem com câmbios traseiros Shimano, nem trocadores Shimano funcionam com câmbios traseiros SRAM, porque a relação de puxada do cabo é diferente. Não há sentido em usar o trocador direito (cambio traseiro) e o esquerdo (dianteiro) de marcas diferentes, mas, como informação, com o câmbio dianteiro não existe esse problema.

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