Minha Primeira Bike

Bem… essa é uma grande duvida de quem resolve começar a pedalar. Onde devo comprar minha bike? Num supermercado? Numa loja especializada…? Ah, vamos ver… deixa eu passar naquela loja que tem bicicletas lindas lá perto do trabalho.

O que?????!!!! 4 mil reais por uma bicicleta? Você está brincando! Não, moço, não quero um carro não. É uma bicicleta! B-I-C-I-C-L-E-T-A, entendeu?

Aí o vendedor começa a lhe mostrar as bikes mais baratas da loja. 1.800, 1.600, 1.200. Não, não tem mais barata.

Mas no supermercado tá anunciando uma com 18 marchas por 290 reais, moço! Tem duas rodas, dois pneus, um guidon, uma sela… (nesse momento você é educadamente corrigido pelo vendedor: selim)… é, selim, isso aí. Mas é praticamente igual. Quer dizer, essa é mais bonita, mas onde é que pode estar os 400% de aumento no preço?

O vendedor, que já está acostumado com a cena, começa as explicações. AS marcas fazem uma confusão na sua cabeça: mas você não disse que o passador era X4, e que o X7 era melhor? O que isso tem a ver com Acera e Deore? E outra coisa… essa sela, ou melhor, selim como diz o senhor, não acomoda a minha bunda, de jeito nenhum. A de 290 tem um selim que parece o sofá lá de casa.

Você não se convence, afinal não estava disposto a gastar mil reais a mais no seu orçamento máximo estipulado. Além do que, a esposa (ou marido, ou namorado(a), ou mãe) vão achar que você enlouqueceu. Por outro lado, a bike é linda mesmo, e agora que já viu as opções (absurdas) e teve contato visual com “peças top”, como disse o vendedor, resolveu que vai dar uma passssada no supermercado, conferir que a bike de lá é quase a mesma coisa, comprar e ser feliz.

Bem, já são 7 horas da noite. Mas como o supermercado é aberto até meia-noite, você resolve adiar o jantar e chegar em casa com sua bike de 290 pilas e mil reais de sobra na conta corrente.

Lá no supermercado você vê sua futura parceira de trilhas de longe…é ela!

Mas, chegando mais perto, você observa, primeiro, que a pintura não só não é tão bonita como as da loja como, pra dizer a verdade, é muito feia. O selim (agora você já sabe o nome, né?), com as suas molonas, parece um sofá mesmo, e não aquele bonito, com nome italiano, que tava na bike de 4 mil.

Os trocadores de marcha são estranhos, para passar com o polegar, e você tenta, meio sem jeito, acioná-los como fez na loja. Nada acontece. É meio duro. Você força. É MUITO duro. Você destronca o polegar e desiste. A bicicleta não parece mais tão barata.

Sendo um quase expert, ou leigo plus como dizia um amigo meu, você faz o último teste, espertamente sugerido pelo vendedor da bike shop. Tenta levantar a magrela do mesmo jeito que levantou a outra na loja, com uma mão só. Nada. Com as duas. Ela se move 1 cm do chão. O vendedor disse que a de lá pesava quanto? 11 quilos? Esta deve pesar pelo menos uns 30. Magrela o cacete. Essa tem que ir pra um spa.

Você desiste, vai pra casa e fica de pensar.

1200 reais não parece mais tanta grana. Você resolve dar o próximo passo. Conversa com aquele seu vizinho ciclista que tem uma bicicleta que sempre lhe pareceu de supermercado, mas que agora você já identifica como uma coisa de uns 5 mil pra cima.

Ele, muito solícito, se prontifica para ir com você em outras lojas. E aí você é apresentado ao paraíso… Cannondales, Meridas, Giants, Treks, Specializeds…. são muitas marcas, que agora você já reconhece. Com a ajuda e paciência do ciclista e de alguns vendedores, você já começa a identificar os componentes e saber o que precisa. Bingo! Sua bike tem o perfil de uma de 2500 reais, que a essa altura já lhe parece uma pechincha.

Voce abre dos peitos, dá uma facada na poupança, e em nome da saúde, da diminuição do estresse e, como disse um vendedor, de um mundo mais verde, vai lá na loja e compra a bike. Como a essa altura dinheiro já representa pouco pra você, vai junto o transbike (afinal, você tem que levar essa coisa linda pra casa, né?), o capacete e a garrafinha dágua com nome engraçado.

É sábado, e você sai pra dar um rolé. No Campus, numa estrada mais tranquila ou numa rua perto de casa. A sensação é maravilhosa. Tudo o que você esperava e mais um pouquinho. Na volta, o seu amigo ciclista está chegando de um passseio também, com a bike toda enlameada, e você, de bermuda e com a bunda toda doída repara que ele está usando uma camisa de manga comprida e que deve estar menstruado, porque a calça dele – de lycra, colada (será que ele é gay?) – tem um absorvente enorme. Um papo rápido e você chega à conclusão de que precisa voltar à bike shop e comprar mais umas cositas: camisa de manga comprida (o sol não é moleza, e você está bicolor), a calça com absorvente, vários piscas para a bike parecer uma árvore de natal e, porque não, um ciclocomputador, que vai lhe dizer quanto, a que velocidade e – pasme! – quantas calorias você gastou. Lá se vão mais 300 pilas.

Se você leu até aqui, das duas uma: ou você já comprou sua bike ou vai comprar. No primeiro caso, torço, de verdade, para que a bike de supermercado não tenha lhe seduzido. Mas, se isso aconteceu, não desanime com as marchas que não passsam, o freio que não freia ou o peso que está carregando: pedale até cansar! Quando vir que ela já deu o que tinha de dar, vá visitar uma bike shop, raspe a poupança e vá chafurdar na lama com um grupo de amigos. Você vai ver que o que você estava perdendo!



Essa é uma fotografia de uma Diamond Back Topanga, igual à minha primeira mountain bike, que tinha lá pelos idos de 1992.



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Publicado em 28/08/2009, em O que eu acho e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 19 Comentários.

  1. Adorei ler esse artigo…além de me informar…pq já comprei a minha bike e olha…não fui seduzida pela do supermercado…comprei na loja especializada…mas ainda faltam uns acessórios…eu morri de rir lendo esse artigo…muito show…e a cara do meu vizinho…kkkk que quer comprar uma bike e me chamou de doida com o $$$ de gatei na minha,….kkkk muito engraçado….

  2. Dei muita risada… ótimo texto. Relata direitinho o que aconteceu comigo.
    Depois de muito pesquisar optei por montar uma bike, só com peças decentes, e me saiu quase a metade do preço que comprar uma com a mesma configuração no brasil (moro em Foz, na fronteira com o PY). Gastei 1.600 pra montar uma bike que custaria uns 2800 no brasil, valeu muito a pena.

  3. Bah, infelizmente a bike do supermercado me seduziu… grande erro, mas ela não é tao pesada a ponto de ter 30kg… acho q uns 20kg ela tem sim… Logo após comprá-la, uma full suspension, eu coloquei umas rodas aero e um vbrake de aluminio, gastei uns 600 conto mas a bike tá voando agora! Já aproveito e deixo minha pergunta será q essa bike aguenta uma trilha? Obrigado!

    • Oi Mateus!
      Olhe, depende da trilha, de como você pedala e da bike que você comprou.
      Em principio, desaconselhamos trilhas com bikes que não apresentem requisitos mínimos de qualidade – o que, certamente, não é o caso de bikes “de supermercado”. Não é questão de status ou beleza, mas se trata de qualidade e segurança.
      Também não recomendamos upgrades nessas bikes: é botar dinheiro bom em cima de dinheiro ruim, como dizia meu pai.
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  4. Olá! O que você me falaria de uma GTS M5 com kit alivio , v-brake e suspensão com trava e todas peças GTS e com todos acessorios? No caso ela é usada. Seria uma boa compra para começar? Abraço!

    • Olá, Doni!

      Quanto à marca citada (GTS, modelos M1 ou M5) não recomendo. Já fiz vários comentários a respeito, mas o principal motivo é o uso de uma marca americana (GTS) sem licenciamento. Ao nosso ver, é uma tentativa de enganar o consumidor, que pensa estar comprando um produto importado, o que não é o caso. Inclusive a GTS M5 usa logo idêntico ao do – pasme – BMW M5. Achamos o fim da picada.

      Procure bikes de fabricantes renomados, com componentes razoáveis, dentro do seu orçamento. Não tente economizar demais – o barato sempre sai muito caro.

      O chato disso tudo é que o objetivo, claramente, é induzir o consumidor ao erro. Qualidade à parte, eu mesmo adquiri um GTSM1, quando voltei a pedalar em 2007, pensando estar adquirindo um produto de qualidade internacional :-). Embora não tenha me dado problemas, preferiria ter comprado o quadro com uma marca qualquer brasileira, mesmo. Me senti enganado.

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  5. Ao ler esse artigo fiquei feliz por não ter gasto os R$ 300,00. Foi muito proveitoso. Parabéns pelas expressões, vc retratou o que acontece com todos.

  6. O quadro ideal para o meu bikefit “virtual” é de 18.88″ (ou 19″ pra arredondar), se numa determinada bike que eu decidir comprar tiver somente quadro de 18″ ou 20″ por qual devo optar?

    • A resposta correta é que depende do top tube. Dependendo do tamanho dele em relação ao resultado do seu bike Fit é que você deve escolher o quadro, isso porque a medida do “reach” (distância selim-guidon, simplificando) tem muito pouca regulagem, pois só o que se pode fazer é trocar a mesa por uma maior ou menor (30 ou 40 mm de variação) ou afastar ou aproximar o selim no trilho, o que também não dá pra mexer muito.
      Em relação ao tamanho do quadro (18, 19, 20, etc), que se refere ao tamanho do seat tube, a regulagem é bem maior, por causa do canote do selim.
      Claro, há uma certa proporção entre o tamanho do seat tube e do top tube, mas quadros diferentes podem ter geometrias diferentes, então é bom checar.
      Porém, como palpite, acho que o 18″ é melhor escolha para você do que o 20″ (talvez até melhor que o 19″, pois em geral quadros menores são mais confortáveis por permitirem uma postura mais ereta).
      Abração!

  7. Cara acabei comprando uma Mosso Odssey 24V Altus , freio a disco Alívio , supsensão regulável, espero ter feito uma boa compra para começar a pedalar.
    Abraço!

  8. kk muito bom o texto, parabéns pelo blog estou acompanhando tudo, infelizmente cai um pouco nessa, achava que todas as Caloi eram excelentes, optei pela TRS, e me arrependi muito, sei que muita gente elogia as top da Caloi, porém as baratas são mesma coisa que qualquer marca furreca, acho que a Caloi deveria melhorar a qualidade ou deixar de fazer as mas baratas, para mim, manchou o nome, fui numa lojinha de bike aqui perto de casa mais velha do que eu(tenho 26), e comprei uma Venzo MX-6 18” suspa Spinner 100 e todinha shimano, nuuussa que diferença!!! agora sim tenho uma bike e estou viciado, kkkk querendo equipa-la mais e mais, mesmo não sendo necessário para meu uso básico, apenas asfalto e to querendo achar umas trilhas leves aqui pelo Rio de Janeiro, Abraços!!!

  9. É camarada, a Supra 30 subiu muito de valor R$ 2099, aí acabei ficando com a Bicicleta GT Aggressor 1.0, freio a disco, 24V, aro 26 peguei numa super promoção R$ 1499 com frete grátis. Agora é só esperar para poder iniciar minhas pedaladas, depois conto o que achei da “magrela”. Té mais e obrigado pelas dicas.

  10. Oi Matheus!
    Se forem trilhas BEM leves, dá. Mas se você se animar com o MTB deve considerar um upgrade a curto prazo.
    É uma bike bem simples, mas para pedalar na cidade da bem.
    Abração!
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  11. Muito obrigado, foi de grande ajuda, já devo começar pelo grupo esse mês.
    e mais uma vez parabéns pelo blog.

  12. Pelo caminho que vou seguindo, não demoro comprar o conjunto de freio a disco hahahaha apesar da bike ser bem basica, não fez eu desistir haha, e sim da um up, eu tbm sou meio doido, trabalho vendendo artesanato [ hippie] e no ano de 2008 eu mais 2 amigos compramos umas bicicletas de uns 200 reais usadas, não sei nem a marca q era haha e decidimos viajar 600 km [ campo grande até Corumbá – MS ], colocamos um caixote desse de feira atrás e mandamos brasa! Quase chegamos ao destino final, hahaha passamos por uma estrada parque que quebrou duas bikes, e como não tinha nenhuma bicicletaria, elas ficaram por lá mesmo, em troca de isca e anzol pra pescar umas piranhas, por uma carona de 8km e uns pacotes de biscoito e um PF hahahaha

    • Hahaha! Grande história, Moacir! Se tiver algumas fotos e quiser contar aqui no blog, teremos o maior prazer em publicar! É mesmo uma história única (e bem divertida, hehehe)!
      Grande abraço e conte com a gente!

  13. Vou ver se encontro fotos desse rolê, foi bem legal mesmo, uma pena na epoca eu não ter um bom equipamento para poder registrar toda essa viagem.

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