Freios a Disco e Vbrakes

Hoje falarei sobre freios. Uma dúvida recorrente é sobre a vantagem de freios a disco sobre V-brakes.

Nesse primeiro ponto a discutir, há que se levar em consideração o uso que o ciclista fará. Em mountain bike, a possibilidade de impactos e empeno nas rodas é bem maior que em uso estritamente urbano. A possibilidade de pedalar em estradas com lama, e mesmo em encarar uma chuva – sem possibilidade de abrigo – é grande.

Então, vamos procurar entender o funcionamento dos tipos de freios mais comuns para avaliar as vantagens e desvantagens de cada sistema.

Vbrakes

Vbrake Shimano Deore

Vbrake Shimano Deore

As partes principais dos Vbrakes são:

Manete para Vbrake ou freio a disco mecânico

1) Os manetes.

2) Os cabos – que correm dentro de conduítes.

3) O freio propriamente dito.

4) As sapatas de freio.

Vbrakes funcionam segundo o princípio da alavanca. Um cabo, acionado por um manete, puxa uma extremidade dos braços do freio, que gira em torno de um eixo, fazendo a sapata entrar em contato com o aro. O atrito da sapata com o aro faz a bike parar.

Os pros:

Como ponto positivo temos a leveza do sistema, bem como a relativa eficiência em parar a bike.

São fáceis de manter e regular. Uma chave allen e um mínimo conhecimento de mecânica e você mesmo faz o serviço.

Veja aqui como trocar as sapatas do Vbrake:



Como exemplo de um dos melhores Vbrakes disponíveis temos o Avid Single Digit – embora os Shimano Alivio e Deore também funcionem muito bem.



Avid Single Digit 7


Os contras:


Um dos maiores problemas do Vbrake é que o menor empeno do aro faz com que o freio fique roçando no mesmo, diminuindo a eficiência da pedalada e desgastando prematuramente a sapata.

A eficiência fica comprometida com água ou lama, que se acumulam nos aros, comprometendo assim a frenagem. Lembrando que lama e água são condições frequentes no mountain bike.

Por último, a falta de modulação – causando o travamento da roda – também é uma reclamação de quem usa Vbrake. Este problema pode ser minimizado com o Modulador de Potência Shimano, que se não evita o problema, pelo menos reduz bastante a possibilidade. Há que se considerar que freios a disco mecânicos sofrem deste mesmo problema.


Freios a disco



Freios a disco


Os freios a disco podem ser de acionamento mecânico – que funcionam por meio de um cabo de aço, exatamente como um Vbrake, ou de acionamento hidráulico, acionados por meio de um fluido hidráulico bombeado pelo manete.Em ambos os casos o acionamento do manete – seja puxando o cabo, seja bombeando o fluido – produz o mesmo efeito: dentro das pinças (calipers, em inglês) as pastilhas de freio são pressionadas de encontro ao disco, parando a roda.

Há dois sistemas de fixação das pinças dos freios a disco no garfo (freio dianteiro) e no quadro (freio traseiro): O IS (International Standard) , onde o freio é parafusado pela lateral, e o PM (Post Mounting), quando o freio é parafusado pela frente. O PM é mais usado, e com ele as pinças podem ser parafusadas diretamente nos quadros e garfos de modelos mais modernos. No IS, em geral é necessário usar um adaptador (que normalmente já vem com o freio). A desvantagem do IS é um pequeno aumento de peso, devido ao uso de adaptadores, e uma diminuição da rigidez do sistema, pelo mesmo motivo.



International Standrd x Post Mounting


Sistemas de montagem IS e PM. O adaptador, na imagem da esquerda, está em amarelo.

Adaptado de Shimano-Eu.



Adaptador IS-PM


Dependendo do tamanho dos discos (160, 180, 200mm) pode ser necessária a instalação de adaptadores (o adaptador é diferente do IS-PM).


Freio a disco Tektro Draco PM com disco de 180mm e adaptador (peça preta)


Freio a disco Tektro Draco PM com disco de 180mm e adaptador (peça preta)

As partes principais dos disco são:



Manete de freios a disco hidráulico



1) Os manetes

2) Os cabos, que correm dentro de conduítes (no caso de freios a disco de acionamento mecânico) ou as mangueiras (em freios a disco de acionamento hidráulico), dentro das quais está o fluido hidráulico (óleo mineral, nos Shimano e Tektro, ou Fluido Dot4, Dot5 ou Dot 5.1 – à base de silicone – nos Avid e Hayes). O fluido de freio é específico – freios que usem óleo mineral não podem usar fluido Dot e vice-versa, sob pena de inutilizar todo o sistema.

3) As pinças de freio.

4) Os rotores (discos), que possuem dois tipos principais de fixação aos cubos – 6 furos (usado na maioria dos freios, inclusive em alguns Shimano) e Centerlock (usados em alguns Shimano). Os cubos devem ser compatíveis com o sistema de fixação. Existem adaptadores de Centerlock para 6 furos.



Rotores (discos) padrão Centerlock e 6 furos




Adaptador Centerlock - 6 furos


4) As Pastilhas de freio. Existem vários tipos de pastilhas para freios a disco, e também vários modelos de pastilha, específicas para cada modelo de freio. Os principais tipos são:

Orgânica – Feitas a base de celulose e resina fenólica. Possuem um razoável coeficiente de atrito sob baixos esforços e baixas temperaturas de operação. Desgastam pouco o disco, são baratas e quase não produzem barulho. Por outro lado desgastam-se mais rápido e se degeneram sob alta temperatura (vitrificam), o que pode acontecer quando o freio é muito solicitado, como em descidas de serras e competições de downhill.

Semi-Metálica – Estas pastilhas tem, tipicamente, latão, bronze e/ou alumínio adicionados em diferentes proporções à resina, de forma à melhorar suas características em altas temperaturas e a resistência mecânica do composto, diminuindo assim seu desgaste.

Metálica – São parentes próximas das semi-metálicas, sendo adicionado uma maior carga de pó metálico. Isso ressalta as características de sensibilidade e poder de frenagem, sem no entanto agredir o disco de freio. Em relação às semi-metálicas, as metálicas tem maior vida útil, recuperam-se mais rapidamente após molhadas e trazem frenagens mais progressivas e consistentes. Há quem reclame do ruído e menor poder de frenagem em relação às orgânicas.

Sinterizada – Estas pastilhas são feitas de uma mistura de metais em pó – tipicamente alumínio, bronze, cobre, etc. – moldada em alta temperatura e pressão de forma a torna-se um bloco sólido e homogêneo. Podem ser formuladas para funcionarem melhor a baixas, médias ou altas temperaturas, porém usualmente tem comportamento apenas mediano quando frias. Também dependendo de sua composição podem ser mais ou menos agressivas ao disco. São destinadas, em princípio, a competições.

Veja a seguir um vídeo explicativo ensinando a trocar as pastilhas de freio:



Os pros:

Não sofre com um empeno do aro e mantém as características de frenagem em solo molhado ou com lama.

Os freios a discos hidráulicos possuem excelente poder de modulação, além de cansar menos os dedos – a força de frenagem é proporcionada pelo fluido hidráulico e não pela pressão nos dedos do ciclista.

Os contras:

Falando em freios de boa qualidade – pois “não há nada no mundo que alguém não possa fazer um pouco pior e vender um pouco mais barato” – o maior problema em freios a disco é o peso, em geral maior que o Vbrake em às vezes algumas centenas de gramas.

Em freios a discos hidráulicos, se entrar ar no sistema – coisa não muito freqüente de acontecer – é preciso “sangrar” o sistema, o que requer um kit específico e alguma habilidade mecânica.



Kit para sangrar freio a disco Shimano



Kit para sangrar freio a disco Avid



Veja aqui como ajustar freios a disco:Falando nisso, um detalhe importante em freios a discos hidráulicos: os freios possuem um mecanismo automático de acomodação das pastilhas. Assim, quando elas se desgastam, as pinças as empurram em direção ao disco, para manter o poder de frenagem. Mas, se os manetes forem pressionados SEM os discos no local (por exemplo, quando você tira a roda para trocar um pneu) as pastilhas colarão uma na outra, sendo geralmente necessário sangrar o sistema (o que não pode ser feito numa trilha). Cuidado, então.



No upgrade de freios Vbrake para discos há que se considerar o preço dos cubos, que são diferentes para os dois sistemas (Vbrake e disco). Embora a bike possa vir com Vbrakes e cubos para disco, isso não é regra.

Se os manetes de freios forem do tipo integrado com trocadores de marcha, no caso de upgrade para freios a disco mecânicos eles podem ser mantidos, mas para freios hidráulicos terá que se mudar os trocadores e os manetes de freios (os manetes para freios hidráulicos possuem um reservatório para o fluido integrado).



Manetes de freio integrados com trocadores de marcha



Na nossa avaliação, para quem pratica mountain bike, mesmo de forma amadora, freios a disco são mais indicados. Embora sejam via de regra mais pesados, discos mecânicos também levam vantagem sobre os Vbrakes, por não sofrerem com empenos de aro ou condições meteorológicas adversas.

Em todos os sentidos, os freios de acionamento hidráulico são superiores aos Vbrakes e freios a discos mecânicos.

Porém, antes de fazer seu upgrade, considere a aquisição de um freio de qualidade. Há diversos freios a disco que são upgrades meramente estéticos, e num componente tão crítico para a segurança do biker é fundamental uma escolha correta para evitar acidentes.

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Publicado em 05/12/2011, em Conheça sua Bike e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Então meu amigo, falando em freios, tem alguma dica para acabar com o ruído das pastilhas em contato com o disco. Pois o som é realmente incomodo. A proposito ótimo blog.

    • Oi Marcelo! Obrigado pelo elogio. O ruído dos freios, em geral, depende do composto utilizado para as pastilhas (e, às vezes, do seu desgaste).
      Pastilhas orgânicas e semi-metálicas fazem menos ruído do que as metálicas. Talvez seja o caso de você mudar o composto na próxima troca. Mas tenha em mente que as metálicas duram bem mais que as outras.
      Grande abraço, curta a nossa FanPage e fique ligado nas novidades, ok? http://www.facebook.com/pages/Da-Lama-ao-Caos/333903203299235.

  2. Parabéns, excelente post, completo.

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